Saúde

Por que o planeta quer que você coma mais miúdos: Entenda e veja como

O consumo de miúdos ganha destaque por unir sustentabilidade, sabor e aproveitamento integral dos alimentos.

Hoje em dia, quem consome carne em países ocidentais geralmente se concentra no tecido muscular dos animais e costuma evitar o consumo de miúdos (órgãos internos como coração, fígado e rins). Mas consumir mais miúdos poderia diminuir o número de animais abatidos para alimentação e, consequentemente, a emissão de gases de efeito estufa pela indústria da carne.

A carne também oferece potenciais benefícios para a saúde. São ricas em proteínas, vitaminas, minerais e ácidos graxos essenciais, e muitas vezes contêm mais nutrientes do que a carne que normalmente consumimos. Por exemplo, 100 gramas de fígado fornecem cerca de 36% da dose diária recomendada de ferro, enquanto a mesma quantidade de carne moída fornece cerca de 12%.

Os miúdos já foram uma opção alimentar popular no Reino Unido durante a Segunda Guerra Mundial. No Japão, o consumo da carne é motivado por valores culturais como o “mottainai”, que descreve um sentimento de remorso pelo desperdício. De forma semelhante, o aproveitamento integral do animal está se tornando mais popular no Reino Unido, também baseado em princípios de redução do desperdício de alimentos e respeito ao sacrifício do animal.

Apesar dos possíveis benefícios para a saúde e o meio ambiente, convencer os consumidores a aceitarem os miúdos é mais difícil do que se imagina. Normalmente, quem nunca experimentou sente repulsa só de pensar em comê-las e as considera contaminadas. Outros evitam simplesmente por não saber como preparar uma refeição saborosa que também agrade às crianças.

Anúncio. Rolar para continuar lendo.

Uma maneira de superar essa resistência é incluir a carne em pratos familiares, misturada a outros ingredientes. Eu e outros pesquisadores exploramos essa ideia em um estudo recente com 390 consumidores de carne no Reino Unido. Analisamos as opiniões deles sobre os miúdos em sua forma natural e as comparamos com a aceitação de carne moída “enriquecida com miúdos” (fígado e rim).

Descobrimos que a carne moída enriquecida com miúdos foi considerada mais aceitável e vista como mais saborosa, satisfatória, curiosa e fácil de preparar do que fígados e rins isolados. Ainda assim, fígados e rins foram vistos como mais naturais, com menos gordura e melhores para o meio ambiente.

Homens x mulheres 

Ao compararmos essas avaliações entre homens e mulheres, ficou claro que os homens se mostraram mais receptivos ao consumo de miúdos “puros” do que as mulheres. Já em relação ao consumo de miúdos misturados à carne moída, homens e mulheres expressaram opiniões semelhantes.

Também comparamos opiniões sobre seis tipos diferentes de refeições enriquecidas com miúdos, incluindo hambúrguer, curry, espaguete à bolonhesa, almôndegas, torta de carneiro e um refogado. O espaguete à bolonhesa foi o favorito absoluto pelo seu sabor característico, mas as pessoas também demonstraram curiosidade em experimentar o refogado, que acreditavam ser mais saudável e natural do que as outras refeições.

Anúncio. Rolar para continuar lendo.

Os consumidores também responderam a perguntas sobre seu tipo de personalidade e motivações para escolher os alimentos, o que nos permitiu compreender melhor a psicologia por trás do fato de algumas pessoas serem mais receptivas a experimentar refeições com os miúdos do que outras.

Por outro lado, verificamos que pessoas que priorizam a saúde ao escolher o que comer acham que esses pratos seriam mais saborosos e interessantes. Em contrapartida, aquelas com medo de experimentar novos alimentos pensam o oposto. Na psicologia, isso é conhecido como “neofobia alimentar” e já foi associado a dietas menos saudáveis em algumas populações. Em nossa amostra, as mulheres apresentaram maior neofobia alimentar que os homens.

Combater o estigma 

Também pode haver um estigma social em torno do consumo de miúdos, já que pessoas mais preocupadas com a forma como são vistas pelos outros mostraram opiniões mais negativas sobre esses pratos. Esse tipo de comportamento é conhecido como “gestão de impressão” e influencia as escolhas alimentares.

Grande parte dos miúdos produzidos no Reino Unido é exportada, devido à baixa demanda interna. Isso faz com que sejam muito mais baratas que outros cortes, como bife ou perna de cordeiro, o que pode reforçar percepções equivocadas de que se trata de uma carne de qualidade inferior ou de que é consumida apenas por quem não pode pagar cortes mais caros.

Anúncio. Rolar para continuar lendo.

Na realidade, consumir mais da carne pode contribuir para uma dieta saudável e ser uma recomendação mais viável para uma alimentação sustentável, especialmente para os homens que apreciam carne.

* Tennessee Randall é doutoranda em Psicologia Social na Universidade de Swansea, no País de Gales.

*Este artigo foi republicado de The Conversation sob licença Creative Commons. Leia o original.

Fonte: Guia Viver Bem

Anúncio. Rolar para continuar lendo.

Notícias relacionadas

Saúde

O Município de Parelhas terá de pagar R$ 400 mil de indenização a uma idosa que perdeu a visão do olho esquerdo após uma...

Saúde

O prefeito Paulinho Freire recebeu neste domingo (23), a primeira carreta móvel destinada à ampliação da oferta de exames de imagem na rede municipal...

Cidades

Câmeras de monitoramento flagraram quatro rapazes caminhando na parte superior do Morro do Careca, em Natal, neste fim de semana. O grupo deixou a...

Mundo

A Austrália confirmou o primeiro caso de H5N1 em um mamífero neste domingo (23). O vírus da gripe aviária altamente patogênica foi identificado em...

Copyright © 2025 TV Ponta Negra.
Desenvolvido por Pixel Project.

Sair da versão mobile