A Crise no Irã ganhou força no final de dezembro e se intensificou nos últimos dias, com protestos em larga escala contra o governo. As manifestações já resultaram em milhares de mortes, prisões em massa e no bloqueio da internet. Segundo a ONG Direitos Humanos no Irã, ao menos 3.428 manifestantes morreram e cerca de 20 mil foram presos desde o início da repressão. Assim, o país vive um dos períodos mais tensos desde a Revolução Iraniana de 1979.
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Embora o Irã já tenha enfrentado ondas de protestos em 2017, 2019 e 2022, o atual movimento alcançou uma dimensão inédita. Conforme especialistas, a insatisfação popular deixou de ser apenas econômica e passou a questionar diretamente a estrutura política e religiosa do Estado. Além disso, a repressão severa ampliou a visibilidade internacional da crise.
Crise no Irã e o regime político
Para entender a Crise no Irã, é fundamental compreender o regime político do país. O Irã funciona como uma república islâmica teocrática, que combina eleições para presidente e parlamento com o controle final exercido por líderes religiosos. A Sharia orienta as leis, enquanto o Líder Supremo, o aiatolá, concentra o poder máximo político e militar, com mandato vitalício.
Na prática, embora existam eleições, o Conselho Guardião supervisiona e valida candidaturas e decisões. Desse modo, o sistema mantém uma aparência democrática, mas preserva um poder moderador religioso. Esse modelo vigora desde 1979, quando a monarquia do xá Mohammed Reza Pahlevi foi derrubada, alterando radicalmente o rumo político do país.
Motivações dos protestos
A grave crise econômica impulsiona as manifestações. Desde já, sanções internacionais pesam sobre a economia iraniana, mas a situação piorou após o rompimento do acordo nuclear pelos Estados Unidos em 2018. Posteriormente, novas sanções em 2025 agravaram o cenário. Como resultado, a inflação anual ultrapassa 42% e a moeda local perdeu quase 70% do valor em um ano.
No entanto, os protestos não se limitam à economia. Assim como ocorreu após a morte de Mahsa Amini, em 2022, a repressão às mulheres tornou-se símbolo da insatisfação popular. Mulheres enfrentam códigos rígidos de vestuário e punições severas, o que transformou os direitos femininos em um dos eixos centrais das manifestações atuais.
Risco de guerra e cenário internacional
Enquanto isso, a tensão externa cresce. Os Estados Unidos impuseram novas sanções e ameaçaram medidas mais duras caso o Irã execute manifestantes. Embora uma guerra convencional pareça improvável, ações pontuais e ataques cirúrgicos não estão descartados. Em contraste com conflitos anteriores, um confronto direto teria impacto global, sobretudo no mercado de petróleo.
O Irã controla o Estreito de Ormuz, rota por onde passa cerca de 20% do petróleo mundial. Logo, qualquer escalada militar poderia desestabilizar a economia internacional.
