O sonho da casa própria ganha um novo fôlego em 2026. Depois de um final de 2025 marcado por restrições severas, onde a Caixa Econômica Federal havia reduzido a cota de financiamento para apenas 70% do valor do imóvel, as notícias deste mês trazem um alívio esperado por milhares de famílias: a volta do financiamento de até 80%.
Essa mudança é estratégica para a classe média. Na prática, o valor que o comprador precisa ter em mãos como entrada caiu consideravelmente. Se antes, em um imóvel de R$ 500 mil, era necessário desembolsar R$ 150 mil de entrada, agora o valor volta para a casa dos R$ 100 mil, tornando a compra muito mais viável para quem ainda está poupando.
Além da cota, outra barreira que caiu por terra foi a trava de “um financiamento por CPF”. Agora, o banco volta a permitir que cidadãos tenham mais de um contrato de habitação simultâneo, desde que a renda comporte as parcelas. Isso abre portas para quem deseja investir em um segundo imóvel ou trocar de residência sem ter quitado a anterior.
O impacto da queda dos compulsórios
O que possibilitou essa “abertura de torneira” no crédito foi uma decisão do Banco Central de reduzir gradualmente a alíquota dos compulsórios (o dinheiro que os bancos são obrigados a deixar guardado). Em 2026, essa alíquota caiu para 15%, liberando bilhões de reais que agora podem ser usados exclusivamente para financiar moradias.
Com mais dinheiro disponível no sistema, a Caixa — que detém cerca de 70% do mercado habitacional — consegue oferecer condições melhores e atender uma fila de espera que vinha se acumulando. Essa maior liquidez também força outros bancos privados a competirem com taxas de juros mais atraentes.
FGTS e novos tetos de valor
Outra novidade importante para este ano é a atualização dos limites do Sistema Financeiro de Habitação (SFH). O teto do valor do imóvel que permite o uso do FGTS foi reajustado, permitindo que moradias de padrão médio-alto em grandes capitais também entrem na modalidade de juros mais baixos.
O uso do saldo do Fundo de Garantia continua sendo a melhor estratégia para abater o valor da entrada ou reduzir o saldo devedor a cada dois anos. Com as novas regras, imóveis que antes ficavam de fora desse benefício agora podem ser adquiridos com as taxas subsidiadas do governo, desde que se enquadrem nos novos critérios de avaliação.
Sustentabilidade e o “Selo Azul”
Para quem pensa em construir ou comprar imóveis de alto padrão (acima de R$ 2,25 milhões), a Caixa introduziu um incentivo interessante: o Selo Azul. Imóveis que comprovem eficiência energética, uso de energia solar ou sistemas de reuso de água terão prioridade na análise de crédito e taxas de juros reduzidas.
Essa é uma tendência forte para 2026. O banco não quer apenas financiar casas, mas incentivar construções que custem menos para o planeta e para o bolso do morador no longo prazo (com contas de luz e água mais baratas). Se você está planejando construir, vale a pena adaptar o projeto para se enquadrar nesses requisitos “verdes”.
Dicas para aprovar o seu crédito
Apesar da maior facilidade, a análise de crédito continua rigorosa. Para garantir a aprovação nos novos limites de 80%, é essencial:
- Limpar o histórico: Verifique se não há pequenas pendências no seu CPF.
- Cadastro Positivo: Mantenha suas contas em dia para que seu score de crédito ajude na negociação dos juros.
- Comprometimento de Renda: Lembre-se que a parcela não pode ultrapassar 30% da renda bruta familiar.
Com o mercado aquecido e as regras mais flexíveis, 2026 se desenha como o melhor ano da década para quem deseja sair do aluguel ou realizar um upgrade de moradia.
