A fatura do cartão de crédito é, para muitos, o maior peso no orçamento mensal. Por muito tempo, quem caía no rotativo, aquele pagamento mínimo que ninguém recomenda, via a dívida virar uma bola de neve impossível de controlar em poucos meses.
Recentemente, as regras mudaram para tentar dar um fôlego maior ao consumidor. Agora, existe um teto para a cobrança de juros e encargos financeiros. Isso significa que a sua dívida não pode mais ultrapassar o dobro do valor original, o que traz um pouco mais de previsibilidade para quem acaba se enrolando com as contas.
Na prática, se você deve mil reais, o banco não pode mais cobrar juros que façam essa conta chegar a cinco ou dez mil reais, como acontecia antigamente. Essa medida foi criada para evitar que as famílias brasileiras fiquem presas em débitos eternos, garantindo que o valor final tenha um limite claro e justo.
Mesmo com esse limite, é fundamental entender que o cartão de crédito ainda é uma das modalidades de crédito mais caras. O ideal é usar a ferramenta com sabedoria, aproveitando os benefícios de prazo e pontos, mas sempre fugindo do pagamento mínimo.
Ter consciência de como esses juros funcionam ajuda você a planejar melhor suas compras de alto valor. Afinal, o crédito deve ser um aliado para realizar sonhos ou resolver emergências, e não uma armadilha que consome todo o fruto do seu trabalho.
Como o limite de 100% protege o consumidor
A grande mudança é que o total cobrado de juros não pode exceder o valor principal da dívida. Se você deixou de pagar um valor X, o máximo que os juros e encargos podem somar é esse mesmo valor X. Ou seja, a dívida total poderá chegar, no máximo, a duas vezes o valor que você devia inicialmente.
Isso acaba com aquela situação desesperadora onde uma compra pequena de supermercado se transformava em uma dívida de valor de um carro após alguns anos. É uma rede de segurança importante, especialmente em momentos de crise financeira ou desemprego inesperado, onde o controle das contas acaba escapando das mãos.
Lembre-se que essa regra vale para o rotativo e para o parcelamento de fatura. Se você perceber que o seu banco está cobrando valores acima desse teto, é seu direito questionar e pedir a revisão dos valores. O sistema bancário precisa se adaptar a essa nova realidade que prioriza a saúde financeira do cidadão.
Estratégias para nunca depender do rotativo
A melhor forma de economizar com o cartão ainda é pagar a fatura total no dia do vencimento. Para isso, uma dica valiosa é ajustar o limite do seu cartão para um valor que você realmente consiga pagar com sua renda mensal. Ter um limite alto demais pode ser uma tentação perigosa para compras por impulso.
Outro hábito saudável é anotar todos os gastos feitos no cartão assim que eles acontecem, em vez de esperar a fatura fechar para ver o susto. Muitos aplicativos de banco já oferecem notificações em tempo real, o que ajuda a manter o controle visual de quanto do seu salário já está comprometido para o próximo mês.
Se você perceber que não vai conseguir pagar o total, tente buscar um empréstimo pessoal com juros mais baixos antes de cair no rotativo. Muitas vezes, o crédito consignado ou outras linhas de crédito têm taxas muito menores do que as do cartão, servindo como uma ponte para quitar a fatura e manter as contas no azul.
A diferença entre juros e taxas administrativas
É importante não confundir o limite de juros com as taxas de anuidade ou tarifas de serviço. O teto de 100% se aplica apenas ao custo do dinheiro emprestado pelo banco quando você não paga a fatura. Tarifas fixas de manutenção do cartão continuam sendo cobradas normalmente, conforme o contrato que você assinou.
Fique de olho também no IOF, que é um imposto federal sobre operações financeiras. Ele não entra na conta do limite de juros, pois é um tributo pago ao governo e não um ganho do banco. Entender essas separações ajuda você a ler sua fatura com muito mais clareza e autoridade sobre o seu dinheiro.






















































