A denúncia de tortura na Ucrânia ganhou novos desdobramentos após um ex-integrante de uma unidade brasileira afirmar que o comandante autorizou agressões que resultaram na morte do pernambucano Bruno Gabriel Leal da Silva. O caso veio à tona em reportagem do SBT News e envolve acusações graves contra o líder do grupo, Leanderson Paulino.
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Segundo o delator Daniel Reis, de 29 anos, o comandante sabia das agressões e deu sinal verde para o chamado “remasso”, termo usado pelo grupo para designar punições coletivas. Conforme o relato, três ou mais integrantes agrediam um único alvo como forma de disciplina interna. Embora o comandante não tenha ordenado explicitamente a morte, o delator afirma que ele autorizou a prática que culminou no óbito.
Tortura na Ucrânia e esquema ilegal
Além das agressões, Daniel denunciou retenção de passaportes, apropriação de parte dos salários e ocultação de corpos. De acordo com ele, os recrutas eram obrigados a transferir 10% dos vencimentos mensais para integrantes do setor financeiro da unidade. O grupo atuava em áreas próximas à região de Zaporíjia.
Segundo o delator, a prática mais grave envolvia a não recuperação de corpos de combatentes mortos. Como resultado, os militares permaneciam oficialmente desaparecidos, e os salários continuavam sendo depositados. Dessa forma, pessoas ligadas ao comando poderiam movimentar os valores. Outras testemunhas ouvidas pelo SBT News confirmaram versões semelhantes.
Daniel afirmou ainda que desertou durante treinamento na Espanha e atualmente vive sob proteção policial em um país da União Europeia. Ele declarou que decidiu falar após perceber irregularidades constantes e temer ser responsabilizado pelas agressões que levaram à morte de Bruno, ocorrida em 28 de dezembro do ano passado.
Embora as investigações ainda estejam em andamento, as denúncias levantam questionamentos sobre a atuação da chamada Unidade Advanced. Além disso, o caso amplia o debate sobre a presença de voluntários estrangeiros no conflito envolvendo a Ucrânia.
