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Governo Lula bloqueia sites de apostas preditivas no Brasil; bets seguem regulares

O Ministério da Fazenda anunciou nesta sexta-feira (24), no Palácio do Planalto, que sites de apostas preditivas, modalidade em que usuários apostam no resultado de eventos futuros, não têm autorização legal para funcionar no Brasil. Segundo o ministro Dario Durigan, a Fazenda já orientou a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) a bloquear ao menos 28 sites ligados ao mercado de previsões que operam no país.

“O mercado preditivo, da forma como ele oferece o seu produto, viola a lei aprovada pelo Congresso Nacional e que é executada pelo Secretaria de Prêmios e Apostas. Portanto, o produto oferecido por essas plataformas, quando em desacordo com a lei, não é passível de regularização”, disse o ministro.

O mercado de apostas esportivas online foi regularizado no Brasil no início de 2024, com a autorização para o funcionamento de apostas de quota fixa, o que inclui práticas tanto em locais físicos quanto em ambiente virtual e em jogos online, as populares bets, como o “Jogo do Tigrinho”. Esse tipo de aposta em esportes ou games segue funcionando normalmente.

Desde então, o governo passou a cobrar exigências e uma outorga de R$ 30 milhões para que empresas obtivessem uma autorização federal para operar no Brasil. Conforme Durigan, hoje essa permisão é estendida a 73 bets. Outros 39 mil sites foram bloqueados por não cumprir as regras, como conta bancária no Brasil, responsável jurídico no pais, acompanhamento pelo Banco Cetral e monitoramento pelo Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf).

Porém, o entendimento da Fazenda, junto a consultas com o BC, o Ministério da Justiça e a Comissão de Valores Imobiliários, é de que o mercado de previsões (ou prediction market, em inglês) explorou uma brecha legal no entendimento sobre os derivativos futuros para operar no país.

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Agora, uma resolução do Conselho Monetário Nacional, que rege os derivativos no país, limitou esse tipo de operação a contratos com elementos econômico- financeiros. Ou seja: derivativos que envolvam outros assuntos, como a previsão do tempo ou a data da morte de alguma personalidade, não tem base legal e, portanto, não podem ser objeto de apostas.

“Houve a importação dessa ideia de prediction market para o Brasil, só que nós observamos é que isso tem cara, focinho e nariz de aposta. Sendo aposta, não sendo tal qual a lei determina, não pode ser prestado no Brasil”, disse o secretário de Reformas Econômicas, Regis Dudena.

Exemplo

O maior exemplo global de site de aposta preditiva no mundo hoje é o Polymarket. A empresa atingiu um valuation de mercado de US$ 15 bilhões no último mês e tem buscado um financiamento de US$ 400 milhões após levantar US$ 600 milhões recentemente.

Diferentemente de uma casa de apostas tradicional, o Polymarket funciona como um mercado de previsões: em vez de apostar contra a “casa”, o usuário compra e vende ações de resultados (como sim ou não) para perguntas sobre o futuro.

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O preço dessas ações varia de US$ 0 a US$ 1 e reflete a probabilidade que o mercado atribui ao evento. Se o resultado final confirmar sua posição, cada ação vale US$ 1. Se não, vale zero. Também é possível vender ações antes do resultado em um esquema de trade. Os mercados são definidos pela plataforma com regras claras e critérios verificáveis que possam confirmar objetivamente se uma previsão se cumpriu ou não.

Exemplos de apostas disponíveis no site até quinta-feira (23), como mostrou o SBT News, incluiam quantos tuítes o bilionário Elon Musk fará em abril, qual cor de gravata o americano Donald Trump usaria, e se a Marinha dos EUA vai apreender outro navio-tanque do Irã até o fim da próxima semana.

Preocupação de Lula com endividamento

Em declarações recentes, Lula sugeriu que, se dependesse da sua vontade, as apostas online seriam proibidas formalmente no país. O petista tem relacionado esse mercado ao alto nível de endividamento da população brasileira, que chegou em março a 80,4% das famílias e bateu novo recorde, segundo dados da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC).

Porém, como mostrou um estudo da LCA Consultoria, as apostas tem um impacto reduzido no endividamento das famílias, com cada apostador tendo um gasto médio em 2025 de R$ 122. Os principais vilões são as alternativas caras de créditos, como os rotativos do cartão, cuja inadimplência chegou a 64,5% em dezembro do ano passado.

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