Por William Medeiros – O Comissão Pastoral da Terra (CPT) lançou, nesta segunda-feira (27), a 40ª edição do relatório Conflitos no Campo Brasil 2025, durante evento na sede da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), em Brasília. No Rio Grande do Norte, o levantamento contabilizou 17 conflitos ao longo do ano, envolvendo 5.473 pessoas.
Ao mesmo tempo, embora o número total de conflitos tenha caído no país, o relatório aponta um cenário mais grave quando se trata de violência contra trabalhadores rurais, povos originários e comunidades tradicionais.
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Violência cresce mesmo com redução de conflitos no país
De acordo com a CPT, o Brasil registrou 1.593 conflitos no campo em 2025, contra 2.207 em 2024, o que representa uma redução de 28%. No entanto, em contrapartida, os casos de violência direta aumentaram.
O número de assassinatos, por exemplo, dobrou no período, passando de 13 para 26 registros. Além disso, a Região Norte concentrou mais de 61% dessas mortes, com destaque para estados como Rondônia e Pará.
Segundo a entidade, o relatório é produzido desde 1985 com base em denúncias, documentos e investigações de campo, consolidando-se como uma das principais referências sobre a realidade rural no país.
RN concentra conflitos principalmente por terra
No cenário estadual, os conflitos por terra seguem como o principal problema. Ao todo, o RN registrou 14 ocorrências desse tipo, atingindo cerca de 1.327 famílias.
Entre os casos, destacam-se áreas em Açu, com o Acampamento Irmã Lindalva, e Lagoa Nova, onde a comunidade quilombola Macambira reúne mais de 500 famílias.
Além disso, municípios como Currais Novos, Bodó e Pedro Avelino também aparecem no levantamento, com registros que envolvem pequenos proprietários, comunidades tradicionais e ocupações ligadas a movimentos sociais.
Trabalho escravo e conflitos por água também aparecem
Por outro lado, o relatório também identificou um caso de trabalho análogo à escravidão no estado. A ocorrência aconteceu em Mossoró, em uma atividade de criação de suínos, com um trabalhador resgatado após denúncia.
Além disso, dois conflitos envolveram o acesso à água, afetando 41 famílias. Um deles foi registrado em Caicó, onde moradores relataram diminuição no abastecimento. O outro ocorreu em Natal, envolvendo uma comunidade costeira tradicional e questões relacionadas ao uso e preservação dos recursos hídricos.
Relatório reforça desafios no campo
Dessa forma, mesmo com a redução no número total de conflitos no Brasil, o relatório evidencia que a violência no campo ainda preocupa. No Rio Grande do Norte, os dados mostram que disputas por terra continuam predominando, enquanto questões como trabalho irregular e acesso à água também seguem presentes.
Por fim, a CPT destaca que o monitoramento contínuo dessas situações é fundamental para orientar políticas públicas e garantir direitos às populações do campo, das águas e das florestas.
