O avanço das canetas emagrecedoras está mudando a forma como médicos tratam a obesidade e já provoca impactos na procura por cirurgias bariátricas no Brasil. Segundo o presidente da Sociedade Brasileira de Cirurgia Bariátrica e Metabólica (SBCBM), Juliano Canavarros, a busca pelo procedimento cirúrgico caiu cerca de 25% em um ano.
De acordo com o especialista, os medicamentos não devem substituir a cirurgia bariátrica. Pelo contrário, os tratamentos atuam de forma complementar e ampliam as possibilidades terapêuticas para cada paciente.
Medicamentos ganham espaço no tratamento da obesidade
Em entrevista ao jornal O Globo, Juliano Canavarros afirmou que a redução já faz parte de uma nova realidade da medicina.
Segundo ele, pacientes com obesidade leve e moderada apresentam bons resultados com as canetas emagrecedoras, o que diminui a necessidade de recorrer à cirurgia.
Além disso, o especialista explicou que os médicos escolhem o tratamento mais adequado de forma individualizada, considerando a obesidade como uma doença crônica.
Apesar da queda, Canavarros destacou que a mudança é natural diante da chegada de uma nova modalidade terapêutica.
Brasil e Estados Unidos registram redução nas cirurgias
Dados da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) mostram que a rede privada brasileira registrou uma redução de 18% nas cirurgias bariátricas em 2024.
Nos Estados Unidos, um estudo apontou uma queda de 34,1% nos procedimentos realizados entre 2022 e 2024.
Ao mesmo tempo, o uso das canetas emagrecedoras cresceu mais de 140% no país norte-americano.
Casos graves ainda exigem cirurgia bariátrica
Mesmo com a expansão dos medicamentos, a cirurgia continua sendo indicada para pacientes com obesidade mais grave.
Segundo os especialistas, a bariátrica apresenta resultados mais potentes e duradouros a longo prazo.
Além disso, entre 5% e 10% dos pacientes interrompem o uso das medicações por causa dos efeitos colaterais ou da baixa eficácia do tratamento.
Por isso, médicos já combinam as duas abordagens em diversas situações clínicas.
Combinação entre cirurgia e medicamentos já faz parte da rotina médica
Atualmente, equipes médicas utilizam os medicamentos tanto para preparar pacientes antes da cirurgia quanto para evitar o reganho de peso após o procedimento.
Além disso, especialistas defendem a ampliação do acesso ao tratamento, principalmente no Sistema Único de Saúde (SUS).
Segundo Juliano Canavarros, o principal desafio é fortalecer a estrutura de atendimento e atualizar as diretrizes relacionadas ao tratamento da obesidade na rede pública.
Ao mesmo tempo, ele ressaltou que as técnicas cirúrgicas evoluíram significativamente nos últimos anos.
Dessa forma, a cirurgia bariátrica tornou-se mais segura e passou a apresentar índices cada vez menores de complicações.





















































