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Morte em salto: testemunha aponta ocultação de provas

Maria Eduarda morreu após sofrer uma queda durante a prática de rope jump | Reprodução

Uma testemunha que presenciou a morte da jovem de 21 anos que caiu em queda livre por cerca de 40 metros após ser lançada de uma ponte sem a corda de segurança durante um salto de rope jump afirmou que os funcionários da empresa responsável demonstraram “apatia” após a tragédia e tentaram ocultar provas. O acidente ocorreu na manhã do último sábado (13), na Ponte do Esqueleto, localizada na divisa entre os municípios de Limeira e Cordeirópolis, no interior de São Paulo.

Ao SBT News, Rafael Goulart, de 40 anos, relatou que os funcionários da empresa Entre Cordas não prestaram socorro imediato a Maria Eduarda Rodrigues. Em vez disso, segundo ele, passaram a recolher os equipamentos utilizados na atividade e levá-los para veículos estacionados no local. De acordo com o relato, alguns colaboradores retornaram sem as vestimentas que os identificavam como integrantes da equipe, o que poderia indicar uma tentativa de descaracterização.

Falta de cuidado da equipe

Ao ouvir o estrondo da queda, Rafael conta que caminhou alguns metros para entender o que havia acontecido e, então, viu o corpo de Maria Eduarda estirado no chão. Segundo ele, o que mais chamou sua atenção foi a falta de cuidado da equipe. O capacete estava caído ao lado da vítima, o que, em sua avaliação, indica que o equipamento não havia sido preso adequadamente.

De acordo com Rafael, enquanto os demais presentes se mobilizavam para ajudar o noivo de Maria Eduarda e buscar socorro para a vítima, os funcionários da empresa adotavam outra postura. Após a queda, alguns colaboradores teriam inclusive manipulado o corpo da vítima na tentativa de retirar a câmera GoPro que estava presa a ela. A testemunha registrou o momento em vídeo, mas o SBT News optou por não exibir as imagens devido ao seu conteúdo gráfico.

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Enquanto familiares e participantes buscavam ajuda e aguardavam a chegada do Samu e da polícia, os responsáveis pela operação teriam usado o tempo para apagar rastros da atividade. O grupo de WhatsApp que reunia cerca de 80 participantes do evento foi bloqueado, e a página da empresa no Instagram foi desativada. Até a publicação desta reportagem, o perfil permanecia fora do ar.

Chegada da polícia

Rafael afirmou ainda que, quando os policiais chegaram à ponte após os primeiros atendimentos prestados à vítima, encontraram funcionários tentando recolher materiais e se misturar aos demais presentes. Diante da situação, ele decidiu gravar a movimentação com o celular para registrar o que acontecia. Foi nesse momento, segundo a testemunha, que os agentes deram voz de prisão aos envolvidos para impedir que deixassem o local.

A testemunha também questionou a organização do evento e apontou indícios de atrasos na programação dos saltos. Segundo seu relato, ele estava inscrito para saltar às 9h30 e recebeu a ficha de número 46. Já Maria Eduarda, que ocupava a posição 15 na fila, sofreu o acidente por volta das 10h, o que, em sua avaliação, demonstra que havia um grande acúmulo de participantes aguardando a atividade.

Para Rafael, o atraso evidencia uma tentativa de acelerar os procedimentos para atender um alto volume de clientes. Nesse sentido, acredita que a “ganância” e a busca pelo lucro pode ter contribuído para a negligência na operação. Cada participante teria desembolsado entre R$ 150 e R$ 200 pela experiência, e cerca de 80 saltos estavam programados para aquele dia.

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LEIA TAMBÉM: Governo federal diz que nunca autorizou atividades na Ponte do Esqueleto após morte de jovem

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