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Mosquito da dengue pode ignorar repelente, aponta estudo

Foto: Pixabay

O mosquito da dengue pode aprender a modificar seu comportamento diante do repelente, segundo um estudo conduzido por pesquisadores da França e dos Estados Unidos. Os cientistas observaram, em experimentos de laboratório, que fêmeas do Aedes aegypti passaram a aceitar o contato com o repelente após associarem seu cheiro à alimentação. Apesar da descoberta, os pesquisadores reforçam que os resultados não significam que o produto perdeu a eficácia nem que os mosquitos desenvolveram resistência na natureza.

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A pesquisa foi publicada em maio na revista científica Journal of Experimental Biology e amplia o conhecimento sobre o comportamento do inseto transmissor da dengue, da chikungunya, da zika e da febre amarela. Além disso, o estudo busca compreender como experiências anteriores influenciam as reações do mosquito diante de determinados estímulos.

Mosquito da dengue aprende por associação

Os pesquisadores utilizaram um método clássico da psicologia experimental para verificar se o mosquito da dengue seria capaz de aprender por associação. Em vez de apresentar primeiro o repelente, os cientistas ofereceram alimento aos insetos e, logo depois, aplicaram o produto à base de DEET (N,N-dietil-3-metilbenzamida), um dos repelentes mais utilizados no mundo.

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Depois de repetir esse procedimento diversas vezes, os mosquitos passaram a associar o cheiro do repelente à alimentação. Como resultado, deixaram de apresentar a reação imediata de fuga observada antes do treinamento.

Segundo o entomólogo Claudio Lazzari, do Centro Nacional de Pesquisa Científica da França (CNRS), os insetos permaneceram estimulados pela alimentação e passaram a tolerar a presença do repelente durante os experimentos. Além disso, os pesquisadores verificaram o mesmo comportamento tanto quando o alimento era sangue quanto quando era açúcar, mostrando que a associação ocorreu em diferentes condições.

Estudo analisou o cérebro dos insetos

Durante os testes, aproximadamente 30 fêmeas de Aedes aegypti participaram dos experimentos. Entretanto, a equipe repetiu os procedimentos durante vários meses para confirmar a confiabilidade dos resultados.

Além de observar o comportamento, os cientistas utilizaram técnicas de imagem e eletrofisiologia para analisar a atividade cerebral dos insetos. Dessa forma, constataram que experiências anteriores alteram a maneira como o mosquito percebe determinados odores.

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De acordo com o neurocientista Clement Vinauger, o aprendizado modifica os circuitos neurais responsáveis pelo processamento dos cheiros. Assim, os pesquisadores conseguiram compreender melhor como a memória influencia o comportamento do mosquito diante do repelente.

Repelente continua sendo recomendado

Embora a descoberta seja relevante para a ciência, os pesquisadores fazem um alerta importante. Os resultados foram obtidos exclusivamente em ambiente controlado de laboratório e não representam o comportamento natural das populações de mosquitos.

Não existe qualquer evidência de que o Aedes aegypti tenha desenvolvido resistência ao DEET ou que os repelentes tenham deixado de funcionar. Pelo contrário, os especialistas destacam que esses produtos continuam entre as principais formas de proteção individual contra picadas.

O uso de repelentes permanece recomendado por autoridades de saúde como medida eficaz para reduzir o risco de infecção por dengue, chikungunya, zika e febre amarela. Em suma, o estudo contribui para ampliar o conhecimento científico sobre o comportamento do mosquito, mas não altera as orientações atuais de prevenção.

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