A população em situação de rua no RN aumentou 134,1% entre 2020 e 2025. O estado passou a registrar 3.345 pessoas nessa condição, segundo levantamento do Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP). O crescimento supera a média nacional, que foi de 97,4% no mesmo período.
Natal concentra 62,9% dos registros estaduais. Em seguida aparecem Mossoró, com 10,49%, e Parnamirim, com 8,61%. Os demais municípios apresentam percentuais inferiores a 1%.
RN ocupa quinta posição no Nordeste
Com 3.345 registros, o Rio Grande do Norte ocupa a quinta posição entre os estados nordestinos. A Bahia lidera a lista, com 16.624 pessoas em situação de rua. Depois aparecem Ceará (14.171), Pernambuco (8.540) e Maranhão (3.700).
Por outro lado, o RN registra números superiores aos de Alagoas (2.968), Paraíba (1.963), Piauí (1.767) e Sergipe (1.723).
Homens negros representam a maioria
O levantamento mostra que 89% das pessoas cadastradas são homens. Além disso, 80,4% se autodeclaram negras.
Em relação à faixa etária, adultos entre 40 e 59 anos representam 52,7% do total. Já pessoas de 18 a 39 anos somam 39,3%. Os idosos correspondem a 7,5%, enquanto crianças e adolescentes representam apenas 0,6%.
Baixa escolaridade predomina
Os dados também apontam baixo nível de escolaridade entre essa população. Cerca de 41,9% têm o ensino fundamental incompleto. Outros 26,8% não possuem instrução formal.
Além disso, 12,1% concluíram o ensino médio. Já 9,6% terminaram o ensino fundamental. Outros 8,2% não concluíram o ensino médio. Apenas 1,3% possuem ensino superior incompleto ou escolaridade mais elevada.
Defensoria aponta fatores para o crescimento
Segundo o defensor público Vinícius Araújo, da Defensoria Pública do Estado do Rio Grande do Norte (DPE/RN), o aumento acompanha uma tendência observada em todo o país após a pandemia.
De acordo com ele, o rompimento dos vínculos familiares é o principal fator que leva pessoas às ruas. Em seguida aparecem o desemprego e, posteriormente, o uso abusivo de álcool e outras drogas.
O defensor também afirma que a falta de documentos dificulta o acesso dessa população aos serviços públicos, como assistência social, saúde e programas governamentais.
Atendimento especializado
A DPE/RN mantém um núcleo especializado para atender pessoas em situação de rua. Além disso, realiza atendimentos itinerantes por meio da chamada “Van de Direitos”, que leva orientação jurídica e assistência diretamente aos locais onde esse público está concentrado.
Natal recebe pessoas de outros municípios
Em nota, a Secretaria Municipal de Trabalho e Assistência Social (Semtas) informou que parte dos registros pode incluir pessoas que possuem moradia precária, mas utilizam as ruas para trabalhar ou garantir a sobrevivência por meio de atividades informais.
A secretaria também destacou que Natal concentra equipamentos públicos destinados a esse público, como o Centro Pop e o Restaurante Popular. Por isso, a capital recebe pessoas de diversos municípios, principalmente da Região Metropolitana, o que contribui para ampliar a demanda pelos serviços.
Estado destaca melhoria na identificação dos casos
A Secretaria de Estado das Mulheres, da Juventude, da Igualdade Racial e dos Direitos Humanos (Semjidh) informou que o crescimento dos registros também reflete o aperfeiçoamento dos mecanismos de identificação dessa população.
Segundo a pasta, a produção de dados mais precisa permite planejar políticas públicas baseadas em evidências. Além disso, a secretaria defende ações integradas entre assistência social, saúde, habitação, educação, trabalho, segurança pública e direitos humanos.
Por fim, a Semjidh afirmou que atua em conjunto com órgãos estaduais e municipais por meio do Comitê Estadual Intersetorial de Acompanhamento e Monitoramento da Política para a População em Situação de Rua (CIAMP/RUA-RN). O objetivo é fortalecer as políticas públicas voltadas para esse segmento e ampliar o acesso a direitos básicos.
