A tarifa dos EUA sobre produtos brasileiros continua gerando impactos para a indústria nacional. Nesta quinta-feira (16), a Confederação Nacional da Indústria (CNI) afirmou que a cobrança adicional de 25% amplia a insegurança para empresas dos dois países e reduz a competitividade dos produtos brasileiros no mercado norte-americano.
Segundo o presidente da CNI, Ricardo Alban, a nova medida tende a agravar um cenário que já apresenta queda nas exportações brasileiras para os Estados Unidos.
“Os efeitos do aumento de tarifas dos Estados Unidos estão sendo cada vez mais sentidos pela indústria brasileira. Diante do anúncio de hoje, o cenário tende a piorar, corroendo ainda mais a competitividade da indústria brasileira.”
Exportações para os EUA seguem em queda
De acordo com a CNI, as exportações brasileiras para os Estados Unidos caíram 13% desde 2025. Com isso, o país deixou de exportar aproximadamente US$ 2,6 bilhões para o mercado norte-americano.
Além disso, as vendas de bens industriais recuaram 8,7% no período. Entre os produtos mais afetados estão os semimanufaturados de ferro e aço, ferro fundido bruto, pasta química de madeira não conífera, óleos de petróleo e produtos semimanufaturados de outras ligas de aço.
Mesmo assim, os Estados Unidos continuam sendo o principal destino das exportações da indústria de transformação brasileira.
Estados concentram exportações
Ainda segundo a CNI, alguns estados possuem maior dependência do mercado norte-americano.
Por exemplo, Sergipe destina 52,3% de suas exportações aos Estados Unidos. Em seguida, aparecem Ceará (33,4%), Espírito Santo (27,5%) e São Paulo (17,1%).
Juntos, esses quatro estados exportaram US$ 7,8 bilhões para os Estados Unidos no primeiro semestre de 2026.
CNI pede retomada do diálogo
Diante desse cenário, a Confederação Nacional da Indústria defende a retomada das negociações comerciais entre Brasil e Estados Unidos.
Além disso, a entidade avalia que a redução das barreiras tarifárias pode preservar a competitividade da indústria brasileira e diminuir os impactos sobre as exportações.
Por fim, a CNI afirma que continuará acompanhando os desdobramentos das medidas adotadas pelo governo norte-americano e seus reflexos para o setor produtivo brasileiro.
