Lula rebate Trump ao afirmar que a nova tarifa imposta pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros representa um “erro estratégico”. Em artigo publicado neste domingo (26) no jornal norte-americano The Washington Post, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) criticou a decisão do governo de Donald Trump e defendeu que a medida tem motivação política. Ainda, o chefe do Executivo afirmou que o Brasil continuará aberto ao diálogo, mas garantiu que o país possui mecanismos para responder com reciprocidade caso considere necessário.
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Segundo Lula, as justificativas apresentadas pelos Estados Unidos não correspondem à realidade. O presidente destacou que o Pix não prejudica empresas norte-americanas e ressaltou que o sistema brasileiro de pagamentos se tornou referência internacional em infraestrutura digital pública.
Lula rebate Trump e contesta justificativas dos EUA
No artigo, Lula lembrou que o primeiro pacote de tarifas aplicado contra produtos brasileiros, em 2025, fazia referência ao julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), posteriormente condenado por tentativa de golpe de Estado. Agora, entretanto, o governo norte-americano sustenta que o Brasil pratica ações comerciais desleais relacionadas ao Pix, ao etanol e à política ambiental.
Além disso, Lula afirmou que o governo brasileiro intensificou o combate às atividades ambientais ilegais desde 2023. Conforme o presidente, essa atuação resultou em uma redução significativa do desmatamento em todos os biomas do país.
O chefe do Executivo também criticou o uso de questões ideológicas na relação entre os dois países. Segundo ele, tentar instrumentalizar a parceria bilateral para objetivos eleitorais compromete uma relação construída ao longo de décadas. “Ninguém vai nos derrotar com base em mentiras”, escreveu o presidente.
Tarifas podem afetar empresas dos dois países
Lula argumentou que a sobretaxa não prejudica apenas o Brasil. De acordo com ele, diversos setores industriais dos Estados Unidos dependem de matérias-primas e produtos brasileiros, como alimentos, móveis, calçados, têxteis e outros insumos utilizados nas cadeias produtivas.
O presidente afirmou que as novas barreiras comerciais tendem a acelerar a aproximação do Brasil com outros mercados internacionais. Conforme os dados apresentados no artigo, as exportações brasileiras para os Estados Unidos atingiram o menor nível desde 1997.
Ainda segundo Lula, na comparação entre os seis primeiros meses de 2025 e de 2026, o comércio bilateral entre Brasil e Estados Unidos caiu 12,8%. Em contrapartida, o intercâmbio comercial com a União Europeia cresceu 6,1%, enquanto o comércio com a China registrou alta de 15,9%.
Entenda a nova investigação comercial
A atual tarifa foi proposta em junho pelo Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR). O órgão acusa o Brasil de adotar práticas consideradas desleais ao comércio norte-americano. Entre os principais pontos da investigação aparecem o desmatamento ilegal, o acesso ao mercado de etanol e o funcionamento do Pix.
A investigação utiliza como base a Seção 301 da Lei de Comércio de 1974, que permite aos Estados Unidos aplicar sanções e sobretaxas contra países considerados prejudiciais aos seus interesses comerciais.
Segundo o governo brasileiro, aproximadamente 2,4 mil empresas podem ser afetadas pela medida. Ao todo, cerca de 18% das exportações brasileiras destinadas aos Estados Unidos, o equivalente a US$ 7,4 bilhões com base nos embarques de 2024, estão expostas às novas tarifas. Madeira, móveis, máquinas, equipamentos elétricos, produtos cerâmicos, calçados e etanol figuram entre os segmentos mais impactados.
Na última semana, o USTR confirmou uma taxa adicional de 12,5% sobre produtos brasileiros e de outros 59 países devido a supostas falhas no combate ao trabalho forçado. Como resultado, a carga tarifária aplicada ao Brasil chega a 37,5%.
