As seleções da Europa podem ficar fora da Copa do Mundo de 2030 após a Uefa anunciar que suas 55 federações filiadas estão dispostas a boicotar as competições organizadas pela Fifa. A decisão ocorre em resposta ao projeto da entidade máxima do futebol de criar a FIFA Forward Enterprise (FFE), empresa que administrará os direitos comerciais dos torneios e poderá vender participação minoritária a investidores privados.
Segundo a Uefa, a Copa do Mundo representa um patrimônio do futebol e não deve ser transformada em um ativo financeiro. Além disso, a entidade afirma que a Fifa elaborou a proposta sem consultar adequadamente as confederações continentais, federações nacionais e demais integrantes do futebol mundial.
Por que a Uefa ameaça boicotar a Copa?
A principal divergência envolve a criação da FIFA Forward Enterprise. Pela proposta, a Fifa manteria o controle da nova empresa, mas venderia até 20% de participação para investidores privados. A expectativa é captar cerca de US$ 4,2 bilhões, com uma avaliação inicial de US$ 20 bilhões. Os recursos financiariam programas de desenvolvimento do futebol e ampliariam os repasses às associações nacionais.
A Uefa, porém, considera que a iniciativa abre espaço para interesses comerciais influenciarem a gestão da principal competição do futebol mundial. Por isso, a entidade afirma que a Copa do Mundo “não está à venda” e exige que a Fifa abandone definitivamente o projeto.
O que pode acontecer com a Copa de 2030?
Caso a Fifa mantenha o plano e a Uefa cumpra a ameaça, todas as 55 associações nacionais europeias poderão deixar de disputar as competições organizadas pela entidade, incluindo as Copas do Mundo masculina e feminina.
Com isso, seleções como Espanha, França, Inglaterra, Alemanha, Itália, Portugal, Holanda, Bélgica e Croácia ficariam fora dos torneios. A ausência dessas equipes representaria uma das maiores crises da história do futebol internacional.
Qual é a posição da Fifa?
A Fifa afirma que a FIFA Forward Enterprise permitirá ampliar os investimentos no futebol sem abrir mão do controle da modalidade. Segundo a entidade, a nova empresa continuará sob controle da Fifa e todas as decisões esportivas, regulatórias e de governança permanecerão com a organização. Além disso, os recursos obtidos serão reinvestidos no desenvolvimento do futebol em seus 211 países filiados.
Há risco real de boicote?
Neste momento, o boicote ainda não é definitivo. A medida funcionaria como forma de pressão para impedir a aprovação do projeto durante as próximas reuniões da Fifa.
Enquanto isso, a Uefa tenta reunir apoio de outras confederações. A Concacaf também demonstrou preocupação com a proposta e criticou a falta de transparência na condução do processo. Por fim, a decisão dependerá das votações internas da Fifa e das negociações entre as entidades nos próximos meses.
