O candidato à Presidência Ronaldo Caiado (PSD) atribuiu os juros elevados no Brasil aos gastos do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Nesta quinta-feira (27), ele afirmou que a responsabilidade do Banco Central pelo atual patamar da Selic é “zero”.
A taxa básica de juros está em 14% ao ano. Para Caiado, o Banco Central mantém a Selic elevada porque precisa conter as pressões inflacionárias provocadas pelo cenário fiscal.
“Culpa é zero do Banco Central”, afirmou o candidato. Segundo ele, a autoridade monetária tem a obrigação de perseguir a meta de inflação.
Caiado critica gastos do governo Lula
Na avaliação de Caiado, o aumento das despesas públicas pressiona o mercado e contribui para a manutenção dos juros elevados.
O candidato argumenta que o governo precisa controlar os gastos para reduzir a necessidade de financiamento e melhorar a percepção dos investidores sobre as contas públicas.
Além disso, Caiado afirma que uma política fiscal mais rígida permitiria ao Banco Central reduzir a taxa básica de juros.
Essa é uma das principais bandeiras econômicas apresentadas pelo candidato durante a campanha presidencial.
Selic está em 14% ao ano
A Selic permanece em 14% ao ano em agosto de 2026. O nível elevado afeta diretamente o custo do crédito para empresas e consumidores.
Ao mesmo tempo, os juros também influenciam a dívida pública. Dados recentes do Tesouro Nacional mostram que a participação dos títulos da dívida federal atrelados à Selic pode chegar a até 53% no fim de 2026. Em julho, esses papéis representavam 51,1% da dívida pública federal.
Por isso, o debate sobre juros ganhou espaço na campanha presidencial.
De um lado, candidatos de oposição responsabilizam a política fiscal do governo pela dificuldade de reduzir a Selic. De outro, integrantes do governo Lula questionam a condução da política monetária e defendem cortes mais rápidos.
Caiado quer juros de 6%
Caiado também apresentou uma meta para a taxa básica de juros caso conquiste a Presidência.
O candidato afirmou que pretende levar a Selic para aproximadamente 6% ao ano, desde que a inflação fique entre 3% e 4%.
Para alcançar esse objetivo, ele defende controle das despesas públicas e mudanças na condução das contas do governo.
Além disso, Caiado tem defendido limitar o crescimento das despesas federais a uma parcela do avanço do Produto Interno Bruto (PIB).
Em encontro com empresários em São Paulo, o candidato propôs que as despesas do governo cresçam no máximo metade do ritmo de expansão da economia.
Juros altos afetam empresas e consumidores
A Selic influencia diversas operações financeiras no país. Quando a taxa permanece elevada, bancos tendem a cobrar mais pelos empréstimos e financiamentos.
Consequentemente, famílias encontram mais dificuldade para contratar crédito. Empresas também enfrentam custos maiores para financiar investimentos e capital de giro.
O setor imobiliário, por exemplo, sente os efeitos do cenário de juros elevados. A Caixa Econômica Federal considera desafiador manter determinadas linhas de financiamento habitacional com juros inferiores à Selic, diante do custo de captação dos bancos.
Além disso, juros elevados podem reduzir o consumo e desacelerar a atividade econômica.
Governo e Banco Central têm funções diferentes
Embora Caiado atribua os juros elevados à política fiscal do governo, a definição da Selic cabe ao Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central.
O Banco Central utiliza a taxa básica como principal instrumento para controlar a inflação. Assim, quando as expectativas de inflação permanecem pressionadas, a autoridade pode manter os juros em nível elevado.
Ao mesmo tempo, a política fiscal interfere nas condições econômicas. Gastos públicos, dívida e percepção de risco podem afetar as expectativas do mercado e, indiretamente, dificultar a redução dos juros.
Esse debate, portanto, envolve tanto a política monetária quanto a política fiscal.
Debate econômico ganha espaço na eleição
A discussão sobre juros, inflação e gastos públicos deve ocupar espaço importante na campanha presidencial de 2026.
Caiado tenta apresentar sua candidatura como uma alternativa baseada em maior controle das despesas públicas.
Além disso, outros candidatos também têm apresentado propostas para reduzir os juros. O debate, porém, envolve diferentes diagnósticos sobre as causas da Selic elevada.
O cenário fiscal brasileiro aparece como um dos principais pontos de atenção para o próximo governo. Análises recentes apontam dívida pública elevada, juros altos e pouco espaço para aumento de despesas como desafios para quem assumir o Palácio do Planalto em 2027.
Caiado mantém críticas ao governo Lula
A crítica aos gastos públicos faz parte da estratégia de Caiado durante a campanha.
O candidato tem associado o aumento das despesas ao endividamento do país e aos juros elevados. Em declarações anteriores, ele também afirmou que a política econômica atual prejudica investimentos e dificulta a expansão da atividade produtiva.
Agora, ao afirmar que a responsabilidade do Banco Central é “zero”, Caiado reforça a tese de que o principal problema está na condução das contas públicas.
Por outro lado, o debate sobre a Selic envolve outros fatores, como inflação, expectativas do mercado, atividade econômica, câmbio e cenário internacional.
