Como construir autoridade na era da inteligência artificial? Essa foi uma das provocações levadas pela jornalista e diretora de Conteúdos Digitais do Sistema Ponta Negra, Pri de Sousa, ao palco do Teatro Riachuelo, em Natal, durante o 4º Fórum da Rede Mulher de Valor, realizado pela CDL Natal.
Na palestra “Quando todo mundo produz conteúdo, o que ainda constrói autoridade?”, Pri chamou atenção para uma transformação que já começa a impactar profissionais e empresas: a inteligência artificial também está mudando a forma como pessoas descobrem, pesquisam e escolhem especialistas.
A discussão parte de uma diferença fundamental: ter visibilidade não significa necessariamente ter autoridade.
“Durante muito tempo, a preocupação no digital foi aparecer, conquistar seguidores e alcançar muitas pessoas. Agora existe uma nova pergunta: quando alguém procura uma referência na sua área, o Google e as inteligências artificiais sabem quem você é?”, provocou Pri durante a palestra.
Autoridade vai além das redes sociais
Um dos pontos defendidos pela jornalista é que a construção de autoridade não deve ficar concentrada apenas no Instagram ou em outras redes sociais.
Experiência profissional, produção de conteúdo relevante, entrevistas, participação em eventos, presença na imprensa, artigos, site, LinkedIn, YouTube e outras fontes públicas ajudam a formar um conjunto de informações sobre determinado profissional.
Quanto mais claro e coerente for esse ecossistema, mais fácil será para pessoas e mecanismos digitais compreenderem quem é aquele profissional, qual é sua especialidade e quais evidências sustentam sua autoridade.
“Você pode ter 20 ou 30 anos de experiência e ser uma referência na vida real. Mas, se essa história não estiver representada no ambiente digital, existe uma distância entre a autoridade que você construiu e a autoridade que o digital consegue enxergar”, destacou.
Inteligência artificial muda a forma de buscar recomendações
Durante a apresentação, Pri também chamou atenção para a mudança no comportamento dos usuários.
Além das buscas tradicionais no Google, ferramentas de inteligência artificial passaram a ser utilizadas para perguntas mais específicas, inclusive na procura por profissionais, empresas e especialistas.
Perguntas como “quem é referência nessa área?”, “qual profissional você recomenda?” ou “quem entende desse assunto?” passam a fazer parte desse novo cenário.
Isso não significa, porém, que seja possível simplesmente criar conteúdos com o objetivo de obrigar uma inteligência artificial a recomendar determinado nome.
Para Pri, o caminho é o oposto: construir autoridade real e produzir evidências digitais consistentes dessa autoridade.
Do palco da televisão às novas tecnologias
A discussão apresentada no Fórum também acompanha uma transformação vivida pela própria jornalista.
Pri de Sousa começou sua trajetória na televisão ainda criança e construiu uma carreira de quase quatro décadas na comunicação.
Formada em Jornalismo e em Film and Video Production pela Full Sail University, nos Estados Unidos, atualmente também atua na direção do digital do Sistema Ponta Negra.
Nos últimos anos, passou a aprofundar seus estudos sobre storytelling, posicionamento, inteligência artificial e novas formas de distribuição e descoberta de conteúdo.
Para ela, a chegada da IA representa mais uma transformação na história da comunicação e profissionais de diferentes gerações precisam compreender essa mudança.
Experiência precisa estar representada no digital
A jornalista também direcionou parte da palestra às mulheres com mais de 40 anos, especialmente profissionais que possuem décadas de conhecimento e experiência, mas ainda têm pouca presença digital.
“A inteligência artificial não apaga a nossa experiência. O perigo é termos uma história enorme e deixarmos essa história invisível para o novo ambiente digital. Precisamos aprender a ocupar esse espaço”, afirmou.
A palestra terminou com uma reflexão sobre o significado de autoridade em um ambiente cada vez mais influenciado por algoritmos e inteligência artificial.
Para Pri, o objetivo não deve ser apenas produzir mais conteúdo.
É construir uma presença digital capaz de transformar experiência, conhecimento e reputação em autoridade encontrável.
