A escritora, jornalista e ativista Maria Amélia de Almeida Teles, conhecida como Amelinha Teles, morreu nesta terça-feira (15), aos 81 anos. Pessoas próximas à ativista confirmaram a morte. A causa não havia sido divulgada.
Amelinha marcou a história da defesa dos direitos humanos no Brasil. Além disso, ela dedicou décadas à luta pela democracia e pelos direitos das mulheres.
Durante a ditadura militar, a ativista sofreu prisão e tortura por causa de sua atuação política. Depois do fim do regime, porém, transformou a própria experiência em uma luta pela memória das vítimas e contra a violência.
Amelinha Teles sofreu tortura durante a ditadura
Amelinha nasceu em Contagem (MG), em 1944. Ainda jovem, iniciou sua militância política.
Em 1972, durante a ditadura militar, agentes prenderam Amelinha por sua atuação política. Na época, levaram a ativista para a Operação Bandeirantes (Oban), em São Paulo.
Durante a prisão, Amelinha relatou que sofreu torturas físicas e violência sexual. Além disso, seus filhos, Edson e Janaína, que tinham 4 e 5 anos, foram levados ao local e presenciaram a tortura dos pais.
Posteriormente, a família Teles entrou na Justiça contra o coronel reformado Carlos Alberto Brilhante Ustra, que comandou o DOI-Codi de São Paulo durante parte da ditadura.
Em 2008, a Justiça de São Paulo reconheceu Ustra como torturador em uma ação movida pela família. Assim, a decisão entrou para a história como um dos casos de reconhecimento judicial das violações cometidas durante o regime militar.
Ativista defendeu direitos humanos
Após o fim da ditadura, Amelinha continuou sua atuação política e social. Ela integrou a Comissão de Familiares de Mortos e Desaparecidos Políticos.
Além disso, participou dos trabalhos da Comissão da Verdade do Estado de São Paulo “Rubens Paiva”. A ativista também atuou em iniciativas voltadas à preservação da memória das vítimas da repressão.
Dessa forma, Amelinha manteve o combate às violações de direitos humanos como uma das principais bandeiras de sua trajetória.
Ao mesmo tempo, ela ampliou sua atuação para a defesa dos direitos das mulheres.
Amelinha participou do movimento feminista
Na década de 1970, Amelinha participou do jornal Brasil Mulher, publicação ligada ao movimento feminista brasileiro.
Depois, em 1984, ajudou a fundar a União de Mulheres de São Paulo. A partir daí, ampliou sua participação em movimentos pela igualdade de direitos.
Durante a Assembleia Nacional Constituinte, Amelinha também participou da mobilização conhecida como Lobby do Batom. O movimento pressionou parlamentares pela inclusão de direitos das mulheres na Constituição de 1988.
Além disso, ela participou da criação do projeto Promotoras Legais Populares. A iniciativa busca orientar mulheres sobre direitos, cidadania e acesso à Justiça.
Escritora registrou experiências em livros
Amelinha também utilizou a escrita para discutir direitos humanos, feminismo e violência contra as mulheres.
Entre suas obras estão Breve História do Feminismo no Brasil, O que é Violência contra a Mulher?, escrito com Mônica de Melo, e O que são Direitos Humanos das Mulheres?.
Ao longo das décadas, portanto, Amelinha aproximou a defesa dos direitos humanos da luta pelos direitos das mulheres. Por isso, tornou-se referência para movimentos sociais e organizações ligadas à democracia e à cidadania.
O velório da ativista está previsto para esta quarta-feira (16), em São Paulo.
