O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou nessa sexta-feira (18) que restringiu o acesso de jornalistas da CNN, MS NOW e Politico à Casa Branca. A decisão foi divulgada pelo presidente na rede social Truth Social e, segundo ele, passou a valer imediatamente. Trump justificou a medida acusando os três veículos de publicar informações que classificou como falsas sobre seu governo.
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Na publicação, o presidente afirmou que os veículos não deveriam divulgar o que chamou de “ficção e mentiras” ao cobrir a Presidência, o governo norte-americano e os Estados Unidos. Além disso, Trump indicou que outras empresas de comunicação poderão sofrer restrições semelhantes.
Posteriormente, durante uma conversa com jornalistas na Casa Branca, Trump afirmou que poderia ampliar a medida. Entre os veículos mencionados por ele estavam The New York Times e The Washington Post, embora não tenha anunciado naquele momento uma proibição contra os dois jornais.
Trump restringe acesso após reportagem da CNN
O anúncio ocorreu no mesmo dia em que a CNN publicou uma reportagem sobre o planejamento militar dos Estados Unidos para transferir drones MQ-9 Reaper da África para o Comando Sul, responsável por operações na América do Sul e em parte do Caribe.
Segundo seis fontes ouvidas pela CNN, a movimentação faria parte de uma preparação para operações contra o narcotráfico e grupos classificados pelo governo norte-americano como terroristas. A reportagem apontou ainda a possibilidade de futuras operações no Equador. O Pentágono não confirmou publicamente o planejamento.
A publicação ganhou repercussão no Brasil porque os Estados Unidos classificaram o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas. O governo brasileiro, por sua vez, manifestou preocupação com a ampliação da presença militar norte-americana na região.
Trump também critica contratos do Politico
Além de questionar a cobertura jornalística, Trump criticou contratos firmados entre o governo federal norte-americano e o Politico durante a administração do ex-presidente Joe Biden.
Trump afirmou que o veículo teria recebido milhões de dólares do governo por assinaturas corporativas e classificou os pagamentos como ilegais. No entanto, o Politico contestou essa interpretação e afirmou que a alegação sobre subsídios governamentais é falsa.
O anúncio provocou reação das próprias empresas de comunicação. A CNN afirmou que mantém seu compromisso com a equipe que trabalha na Casa Branca e defendeu o direito de realizar a cobertura sem interferência do governo. O Politico também declarou que continuará cobrindo a administração e que defenderá seus direitos previstos na Primeira Emenda da Constituição dos Estados Unidos.
Medida pode enfrentar questionamentos judiciais
A decisão também levantou questionamentos jurídicos nos Estados Unidos. Organizações de defesa da liberdade de imprensa afirmaram que uma restrição baseada no conteúdo da cobertura pode entrar em conflito com as garantias previstas na Primeira Emenda.
Além disso, existem precedentes de disputas judiciais entre a Casa Branca e veículos de comunicação durante o governo Trump. Em 2018, por exemplo, uma decisão judicial determinou a restauração da credencial do então correspondente da CNN Jim Acosta após uma restrição imposta pela administração.
Até o momento, o governo norte-americano não detalhou publicamente todos os procedimentos para implementar a nova restrição nem informou como a medida afetará cada modalidade de acesso à Casa Branca.
