Os eleitores brasileiros chegam às urnas no próximo domingo (4) sem clareza sobre as propostas econômicas dos principais candidatos à Presidência. A avaliação é da economista Monica Baumgarten de Bolle, pesquisadora do Peterson Institute for International Economics (PIIE).
Em entrevista ao Radar News, do SBT News, nesta quinta-feira (1º), Monica afirmou que faltam propostas detalhadas sobre política fiscal, juros, crescimento econômico e endividamento das famílias.
Segundo a economista, Lula (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) não apresentam, na avaliação dela, uma visão clara para enfrentar esses problemas.
“A sensação que dá é que o eleitor vai às urnas no domingo às cegas em relação às propostas econômicas dos candidatos”, afirmou Monica.
Dívida pública e juros
A dívida pública também esteve entre os principais pontos abordados durante a entrevista. De acordo com dados recentes do Banco Central, a Dívida Bruta do Governo Geral chegou a 82,9% do PIB em agosto de 2026, enquanto a dívida líquida alcançou 69,3% do PIB.
Além disso, os juros têm peso importante na evolução das contas públicas. O Banco Central registrou R$ 105,9 bilhões em juros nominais em agosto.
Nesse cenário, Monica avaliou que o país precisa encontrar uma solução para o endividamento. No entanto, segundo ela, um eventual ajuste não ocorreria de forma imediata devido à complexidade da questão fiscal e às dificuldades políticas.
A economista também apresentou avaliações diferentes sobre os possíveis caminhos econômicos de Lula e Flávio Bolsonaro. Em relação a Lula, ela projetou continuidade na condução da política fiscal. Já sobre Flávio, citou referências feitas por seus assessores econômicos à experiência argentina e questionou a comparação entre os dois países.
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Endividamento das famílias
O custo de vida e o endividamento das famílias também ganharam espaço na entrevista. Para Monica, esses temas passaram a ocupar uma posição importante no debate eleitoral.
Entretanto, a economista afirmou que os candidatos não apresentam, na avaliação dela, diagnósticos e propostas suficientemente claros para enfrentar o problema.
As apostas online também entraram na discussão. Monica afirmou que ainda não existem dados suficientes para dimensionar o impacto das bets sobre o endividamento das famílias. Mesmo assim, ela considera o tema relevante tanto do ponto de vista econômico quanto da saúde pública.
Críticas ao debate econômico
Por fim, Monica avaliou que a atual eleição apresenta pouco espaço para a discussão sobre economia.
“A primeira eleição que eu vejo na realidade em que não se discute a economia”, afirmou a economista durante a entrevista.
Ela também disse que ainda não está claro quais políticas os candidatos pretendem adotar para estimular o desenvolvimento e o crescimento econômico.
A entrevista ocorreu três dias antes do primeiro turno das eleições, marcado para domingo (4). Portanto, o debate sobre dívida pública, juros, contas do governo e endividamento das famílias permanece entre os temas econômicos apresentados aos eleitores na reta final da campanha.
