Após um ano marcado por seca severa, o Rio Grande do Norte pode ter um cenário mais favorável em 2026. Segundo a Pesquisa Agropecuária do RN (Emparn), a expectativa é de mais chuvas em 2026 no RN, especialmente durante os meses de março e abril, que são decisivos para o período chuvoso no estado.
As previsões climáticas para o primeiro trimestre do ano foram apresentadas à imprensa na manhã desta quarta-feira (14), na sede da Secretaria de Estado da Agricultura, da Pecuária e da Pesca (Sape).
De acordo com os técnicos, as chuvas devem começar a se intensificar a partir do dia 20 de janeiro, avançando gradualmente ao longo de fevereiro.
Expectativa é melhor que nos últimos anos
O meteorologista da Emparn, Gilmar Bristot, destacou que o cenário climático para 2026 tende a ser mais positivo do que o registrado recentemente. Segundo ele, o comportamento segue um movimento cíclico típico do clima no Nordeste.
“Esperamos um ano melhor do que os últimos, com mais chuvas, principalmente em março e abril, que são os meses que definem o período chuvoso no Nordeste”, afirmou.
Ainda segundo o especialista, quando as chuvas ocorrem nesse intervalo, os impactos são positivos para a agricultura, a pecuária e a recarga dos reservatórios. Caso contrário, as dificuldades se espalham ao longo de todo o ano.
Regiões mais críticas seguem em alerta
Apesar da expectativa de melhora, algumas regiões do estado ainda enfrentam situação delicada. O Seridó e o Alto Oeste potiguar continuam sob condição de seca, devido à ausência de chuvas na pré-estação chuvosa.
No entanto, a Emparn projeta que, na segunda quinzena de janeiro e nas primeiras semanas de fevereiro, ocorram precipitações suficientes para iniciar a recuperação gradual dessas áreas.
“As chuvas da estação chuvosa devem atender principalmente o Alto Oeste e o Seridó, regiões que hoje enfrentam seca extrema e dificuldades para a agricultura e a pecuária”, explicou Bristot.
Reservas hídricas preocupam
Outro ponto de atenção é o nível das reservas hídricas do estado. Atualmente, os reservatórios do Rio Grande do Norte acumulam cerca de 38% da capacidade total. No mesmo período do ano passado, o volume era próximo de 60%.
Essa redução significativa acende um alerta para os próximos anos. Caso não haja uma recarga expressiva em 2026, o cenário para 2027 pode se tornar ainda mais desafiador, sobretudo para o abastecimento humano e animal.
Ainda assim, a Emparn não espera volumes extremos de chuva. A previsão indica índices dentro da normalidade, com variações levemente acima ou abaixo da média, dependendo da região.
Março será decisivo para o período chuvoso
O mês de março segue como o mais aguardado. Tradicionalmente, ele concentra o maior volume de chuvas no interior do estado. Em 2025, no entanto, fatores climáticos atípicos frustraram as expectativas.
Para 2026, o cenário é diferente. O resfriamento do Pacífico e o aquecimento gradual do Atlântico Sul favorecem uma circulação atmosférica mais estável, o que aumenta as chances de chuvas regulares.
“Essa condição indica que podemos ter recarga nos açudes e água suficiente para agricultura e pecuária”, ressaltou o meteorologista.
Distribuição das chuvas no estado
As chuvas devem começar pelo Alto Oeste, influenciadas pela umidade vinda do Vale do Rio Piranhas e do Jaguaribe, no Ceará. Em seguida, as precipitações avançam para o Seridó, regiões do Vale e, posteriormente, atingem outras áreas do interior e o litoral potiguar.
Com isso, a expectativa é de um primeiro trimestre mais promissor, trazendo alívio para setores fortemente impactados pela seca nos últimos anos.




















































