O governo dos Estados Unidos declarou apoio a eleições livres no Brasil, mas não assumiu expressamente o compromisso de reconhecer o resultado do segundo turno da disputa presidencial de 2026. A posição consta de uma carta do Departamento de Estado, datada de 15 de outubro, enviada à deputada americana Delia Ramirez.
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O documento responde a questionamentos de parlamentares dos Estados Unidos sobre a política do governo de Donald Trump em relação ao Brasil. Além disso, a correspondência defende as sanções impostas ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), e a classificação do Primeiro Comando da Capital (PCC) e do Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas.
Na carta, o Departamento de Estado afirma que Washington apoia o direito dos brasileiros a um processo eleitoral livre e justo. No entanto, o texto não responde diretamente à cobrança para que o governo americano reconheça o resultado certificado das eleições presidenciais brasileiras.
EUA apoiam eleições livres no Brasil após cobrança
A resposta americana ocorreu após uma iniciativa liderada por Delia Ramirez em 24 de setembro. Na ocasião, a deputada encaminhou uma carta ao secretário de Estado, Marco Rubio, assinada por parlamentares que questionaram a atuação do governo Trump em relação ao Brasil.
Além de cobrar uma posição sobre o processo eleitoral, os congressistas pediram garantias de que os Estados Unidos respeitariam o resultado das urnas. Entretanto, a resposta enviada em outubro limitou-se a declarar apoio ao direito dos brasileiros a uma eleição livre e justa.
“Continuaremos a dialogar com o povo brasileiro, o setor privado e o governo eleito para promover a segurança, o comércio recíproco, os investimentos e a prosperidade em ambos os países”, afirma o documento.
Segundo o Departamento de Estado, o governo americano mantém contatos regulares com autoridades e representantes da sociedade civil das Américas. Essas conversas abordam temas como governança democrática, independência judicial e integridade eleitoral.
Além disso, Washington menciona a Organização dos Estados Americanos (OEA) e os canais diplomáticos bilaterais como instrumentos para manter esse diálogo.
Governo Trump defende sanções contra Alexandre de Moraes
A carta também apresenta a justificativa do governo americano para as medidas adotadas contra Alexandre de Moraes. Segundo o Departamento de Estado, as sanções impostas em 30 de julho de 2025 tiveram como fundamento o que Washington considera graves violações dos direitos humanos.
O documento cita a Lei Global Magnitsky e atribui ao ministro a autorização de prisões preventivas que considera injustas, além de restrições à liberdade de expressão.
Ainda conforme a posição americana, Moraes teria adotado medidas politicamente motivadas para silenciar críticos, incluindo ordens sigilosas direcionadas a plataformas digitais, entre elas empresas americanas.
EUA justificam classificação do PCC e do Comando Vermelho
Outro ponto da correspondência trata da classificação do Primeiro Comando da Capital e do Comando Vermelho como organizações terroristas estrangeiras. O governo Trump anunciou a medida em 28 de maio de 2026.
Segundo o Departamento de Estado, as facções possuem milhares de integrantes, praticam ataques contra forças de segurança, autoridades e civis brasileiros e mantêm redes criminosas que alcançam os Estados Unidos.
Por isso, a administração americana afirma que a classificação busca proteger a segurança nacional e combater organizações criminosas na região.
A carta também relaciona a medida ao compromisso de Trump de desmantelar cartéis e redes criminosas que, segundo Washington, representam ameaças aos americanos.
Carta não esclarece questão do visto diplomático
Apesar de responder a parte dos questionamentos dos parlamentares, o documento não apresenta um compromisso explícito de reconhecimento do resultado eleitoral brasileiro. Dessa forma, permanece sem resposta direta um dos principais pontos levantados na correspondência de setembro.
Além disso, a carta não explica a revogação do visto do embaixador brasileiro em Washington, outra questão mencionada pelos congressistas.

























































