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Série Ouro abre oficialmente desfiles na Marquês de Sapucaí

Foto: Tânia Rêgo

O Sambódromo do Rio de Janeiro, na Avenida Marquês de Sapucaí, recebe hoje (17) e amanhã os desfiles da Série Ouro, da Liga das Escolas de Samba. Pela Série Ouro – responsável pela abertura oficial do carnaval na Marquês de Sapucaí e principal grupo de acesso ao desfile principal -, se apresentarão escolas tradicionais como União da Ilha, São Clemente, Estácio de Sá e Império da Tijuca. A disputa pelo título promete ser acirrada: 15 escolas vão disputar a taça e somente uma vai garantir o acesso, em 2024, ao grupo de elite, junto com as agremiações do Grupo Especial.

Ingressos
Os ingressos de arquibancada para os desfiles da Série Ouro estão à venda desde o dia 9, no estande de atendimento montado na Avenida Salvador de Sá, atrás do Setor 11 do Sambódromo, de segunda à sexta-feira, das 10h às 16h. O valor é de R$ 25, à exceção do Setor 9, que custa R$ 50.

Público
A Liga-RJ estima um público médio de 120 mil pessoas por dia, entre espectadores nas arquibancadas e camarotes, integrantes dos desfiles, profissionais do carnaval e de outras áreas. A Série Ouro era conhecida como Grupo de Acesso. A nova nomenclatura passou a valer em 2021, após mudança promovida pela Liga Independente das Escolas de Samba do Rio de Janeiro (Lierj).

Ordem dos desfiles
Sexta (17)

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Arranco do Engenho de Dentro

Enredo: Espinguela, chão do meu terreiro

Na figura do líder religioso, compositor, jornalista, arengueiro e um dos fundadores da Mangueira, Zé Espinguela, a agremiação que festeja 50 anos de fundação, vai mostrar o nascimento dos desfiles das escolas de samba. Evento que começou em seu terreiro, no Engenho de Dentro, onde hoje está a quadra da escola. O enredo é de autoria do carnavalesco Antônio Gonzaga.

Lins Imperial

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Enredo: Madame Satã, resistir para existir

A agremiação vai levar para a Sapucaí a história de João Francisco dos Santos, o Madame Satã, carioca icônico da primeira metade do século 20, em forma de manifesto. Nordestino, preto e homossexual, o “bicha malandro” fez da Lapa, no centro do Rio, o seu mundo. Na visão dos carnavalescos Edu Gonçalves e Ray Menezes, ele é símbolo de “reexistência” e vai ao encontro de enredos que celebram personalidades negras.

Acadêmicos de Vigário Geral

Enredo: A fantástica fábrica da alegria

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O enredo dos carnavalescos Alexandre Costa, Lino Sales e Marcus do Val conta a vida do menino Samir, cria da comunidade, que sempre sonhou em encontrar o bilhete premiado e realizar todas as suas fantasias. A ideia é conduzir o público numa viagem a momentos de alegria, pelo simples prazer de ser feliz, despreocupado como uma criança.

Estácio de Sá

Enredo: São João, São Luís, Maranhão! Acende a fogueira do meu coração

Em uma fábula, o carnavalesco Mauro Leite vai mesclar o pagão e o religioso no encontro entre São João e São Luiz, por meio de uma fábula. Eles se encontram no céu e decidem vir à Terra na companhia de outros santos, com a missão de abençoar o festejo junino do Maranhão.

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Unidos de Padre Miguel

Enredo: Baião de mouros

A escola fará um paralelo entre o deserto e o sertão, a música, o chapéu do cangaceiro, leques e guarda-sóis, o uso de tapetes e as janelas quadriculadas e os azulejos, do comércio do mascate ao gibão que cobre um cabra, fazendo um passeio pela Península Ibérica conquistada por árabes do Norte da África e o domínio mouro no Nordeste. Os carnavalescos Edson Pereira e Wagner Gonçalves pretendem retratar a influência/interferência árabe, moura e muçulmana na região.

Acadêmicos de Niterói

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Enredo: Carnaval da vitória

A agremiação vai apresentar o enredo desenvolvido pelo carnavalesco André Rodrigues, usando como fio condutor a comemoração dos 450 anos da cidade de Niterói. Assim como o Carnaval da vitória, de 1946, que marcou o retorno dos festejos após o fim da II Guerra Mundial e foi um momento de revolução e de estabelecimento de paradigmas para o carnaval niteroiense, o enredo também tem a força de ser uma pedra base, sobre a qual irá se edificar a fundação da escola.

São Clemente

Enredo: O achamento do velho mundo

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De retorno à São Clemente, o carnavalesco Jorge Silveira propõe uma viagem no tempo, de um jeito divertido e irreverente. Na visão da escola, os povos originários do país vão fazer o caminho inverso dos descobridores, da Praia de Botafogo, na zona sul do Rio, direto para a Europa.

Sábado (18)

União de Jacarepaguá

Enredo: Manuel Congo, Mariana Crioula, os heróis da liberdade no Vale do Café

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Os carnavalescos Lucas Lopes e Rodrigo Meiners vão contar a história de Manuel Congo, que liderou a maior rebelião de escravizados no Vale do Paraíba, em Paty do Alferes, e Mariana Crioula, que participou do mesmo movimento, sendo aclamada a rainha do quilombo formado pelos negros fugitivos “pertencentes” ao capitão-mor de ordenanças Manuel Francisco Xavier.

Unidos da Ponte

Enredo: Liberte nosso sagrado: o legado ancestral de Mãe Meninazinha de Oxum

Os carnavalescos Rodrigo Marques e Guilherme Diniz vão abordar a saga contra o racismo religioso de uma das mais importantes yalorixás do Brasil: Mãe Meninazinha de Oxum. O enredo celebra também a ligação da mãe de santo com a cidade de São João do Meriti, sede da agremiação.

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Unidos de Bangu

Enredo: Aganjú, a visão do fogo, a voz do trovão no Reino de Oyo

O carnavalesco Robson Goulart vai contar a história do quinto alafim (rei) no Império de Oyó, filho de Ajacá, neto de Oraniã e sobrinho de Xangô. Representação máxima do poder de Olorum. No Brasil, o orixá carrega algumas características de Xangô e representa tudo que é explosivo, que não tem controle, sendo a personificação dos vulcões.

Em Cima da Hora

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Enredo: Esperança, presente!

O enredo desenvolvido pelos carnavalescos Marco Antonio Falleiros e Carlos Eduardo vai contar a história de Esperança Garcia, mulher negra escravizada que, no século 18, no Piauí colonizado, ergueu-se como voz da resistência e lutou contra os terrores da escravização. Esperança aprendeu a ler e a escrever, e usou o saber como arma de enfrentamento: redigiu uma carta denunciando os horrores do Piauí escravocrata e as violências que sofria, documento hoje considerado uma das primeiras cartas de Direito.

Unidos Porto da Pedra

Enredo: A invenção da Amazônia, um delírio do imaginário de Júlio Verne

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Baseado no livro A Jangada: 800 léguas pelo Amazonas, o carnavalesco Mauro Quintaes vai promover uma aventura delirante do escritor francês Júlio Verne – pai da ficção científica e de fantasia. O escritor, que jamais pisou em solo brasileiro, vai, pelas mãos da Unidos do Porto da Pedra, fazer uma fascinante viagem pela Amazônia.

União da Ilha do Governador

Enredo: O encontro das águias no templo de Momo

O carnavalesco Cahê Rodrigues vai prestar uma homenagem à madrinha da escola insulana, a Portela, que completa 100 anos de fundação em 2023. Juntas, as águias – símbolo da Portela e da União da Ilha do Governador – voarão juntas para resgatar a magia e a alegria do carnaval na Sapucaí.

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Império da Tijuca

Enredo: Cores do axé

Os carnavalescos Júnior Pernambucano e Ricardo Hessez desenvolveram um enredo sobre o universo religioso afro-brasileiro, baseado nas obras do pintor e escultor Carybé. Para a tradição nagô-iorubá, o axé é a energia vital que está presente no universo desde sua criação. E com maestria, entre ritos e celebrações do terreiro, festas e aglomerações das ruas, vários momentos repletos de energia (axé) ganharam contorno nas obras do artista.

Inocentes de Belford Roxo

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Enredo: Mulheres de barro

O carnavalesco Lucas Milato vai contar na Sapucaí a história das paneleiras capixabas, da região de Goiabeiras Velha, região de Vitória, no Espírito Santo. Donas de um saber que existe há mais de 400 anos, elas receberam das mãos das mulheres indígenas o poder ancestral da arte e as técnicas utilizadas na confecção de panelas de barro vindas dos povos Tupi-Guarani e foram passadas de geração em geração entre as tribos. Defendendo a importância dessa arte, o grupo de mulheres lutou por espaço na sociedade e na cultura capixaba. Hoje, o saber das paneleiras é reconhecido como patrimônio cultural imaterial.

Como chegar ao Sambódromo

Para acessar o Sambódromo é recomendada a utilização de transporte público coletivo regulamentado:

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Metrô: o público destinado aos setores pares deve utilizar as estações Cidade Nova, Estácio e Praça Onze. Para os setores ímpares, deve ser utilizada a estação Central do Brasil.

Trem: para ambos os lados da Sapucaí, utilizar a estação Central do Brasil.

Ônibus de linhas regulares: mais de 50 linhas passam pela área do evento, procedentes de diversas regiões da cidade.

A prefeitura também recomenda que seja evitada a circulação de carro no centro da cidade e que se busque rotas alternativas, devido ao grande número de interdições na região, com especial atenção nesta sexta-feira (17) e sábado (18), dias em que ocorrerão os deslocamentos de carros alegóricos para os desfiles na Sapucaí. O Poder Público alerta para os locais de proibição de estacionamento e atenção aos horários de restrições, pois os carros estacionados em locais irregulares estarão sujeitos a reboque.

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Agência Brasil

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