O número de mortes em protestos no Irã ultrapassou a marca de 500 neste domingo (12), conforme levantamento divulgado pelo grupo de direitos humanos Hrana. As manifestações seguem espalhadas por diversas regiões do país, enquanto o governo mantém bloqueios recorrentes de internet e severas restrições à comunicação. Como resultado, a apuração independente dos dados enfrenta dificuldades constantes.
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Segundo a Hrana, o balanço mais recente aponta 490 manifestantes mortos e 48 integrantes das forças de segurança. Além disso, as autoridades efetuaram cerca de 10 mil prisões desde o início dos protestos. Entretanto, organizações internacionais alertam que os números reais podem ser ainda maiores, devido à repressão e à falta de transparência oficial.
Mortes em protestos no Irã aumentam sob repressão
Conforme a organização Iran Human Rights, mais de 2 mil pessoas podem ter sido mortas, com base em relatos de fontes locais. No entanto, segundo a entidade, a ausência de internet dificulta a confirmação dos dados. “A verificação independente continua sendo um sério desafio nas circunstâncias atuais”, afirmou o grupo em comunicado.
Os protestos começaram no fim de dezembro de 2025 e, inicialmente, tinham como foco a grave crise econômica. A população enfrenta inflação elevada, forte desvalorização da moeda e aumento expressivo nos preços de alimentos e bens essenciais. Com o passar do tempo, no entanto, os atos ganharam caráter político, ampliando a insatisfação popular.
Embora os manifestantes denunciem a deterioração das condições de vida, o governo iraniano adota um discurso duro. O aiatolá Ali Khamenei classificou os participantes como “sabotadores”. Da mesma forma, o procurador-geral Mohammad Movahedi Azad descreveu os manifestantes como mohareb, termo que significa “inimigos de Deus” e pode resultar em pena de morte.
Além disso, conforme a Human Rights Activists News Agency, as forças de segurança responderam com disparos de armas de fogo, uso de gás lacrimogêneo e munições de chumbo. Como resultado, o clima de tensão aumentou em várias cidades iranianas.
O presidente Masoud Pezeshkian, por outro lado, pediu que a população se afaste do que chamou de “terroristas e badernistas” e sinalizou disposição para diálogo. Ainda assim, ele acusou Estados Unidos e Israel de fomentarem a instabilidade no país.
Ainda neste domingo, o Irã ameaçou retaliar Israel e bases dos Estados Unidos em caso de ataques. A declaração ocorreu após o presidente norte-americano Donald Trump afirmar que poderá agir “muito duramente” se a repressão continuar.





















































