A Polícia Federal retomou as negociações para um possível acordo de delação premiada com o empresário Daniel Vorcaro, investigado no caso envolvendo supostas fraudes financeiras ligadas ao Banco Master.
A nova rodada de conversas começou cerca de uma semana após os investigadores rejeitarem a primeira proposta apresentada pela defesa do ex-banqueiro. Na ocasião, a PF avaliou que as informações entregues não acrescentavam elementos relevantes às investigações em andamento.
Além disso, a corporação encaminhou um ofício ao ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, informando oficialmente a retomada das tratativas sobre uma possível colaboração premiada.
Investigadores querem novas provas
Segundo informações divulgadas pela imprensa nacional, a Polícia Federal entende que Daniel Vorcaro possui o direito de apresentar novas propostas de colaboração. No entanto, os investigadores pretendem analisar com mais rigor os dados e documentos eventualmente fornecidos pela defesa.
Na primeira tentativa de acordo, a PF concluiu que os relatos apresentados apenas reforçavam provas já reunidas durante a investigação, como mensagens extraídas de aparelhos celulares apreendidos ao longo da operação.
Por causa disso, os investigadores descartaram a proposta inicial e interromperam temporariamente as negociações.
Entretanto, a defesa do empresário manteve interesse em avançar nas discussões junto à Procuradoria-Geral da República. A Procuradoria também defendeu a continuidade das tratativas para avaliar a possibilidade de novas informações sobre o esquema investigado.
Investigação envolve bilhões de reais
As apurações da Polícia Federal apontam suspeitas de fraudes financeiras e movimentações irregulares ligadas ao Banco Master.
Segundo os investigadores, o esquema envolveria uma estrutura formada por 216 fundos e 143 empresas utilizadas para movimentação de recursos. Além disso, Daniel Vorcaro aparece como um dos principais alvos da investigação.
De acordo com estimativas divulgadas no inquérito, os prejuízos relacionados ao caso já ultrapassariam R$ 57 bilhões.
Enquanto isso, os órgãos de investigação avaliam que eventual acordo de colaboração poderá incluir ressarcimento milionário aos cofres públicos. A expectativa é de que os valores recuperados possam chegar a R$ 60 milhões.
STF autorizou retorno para cela especial
Paralelamente às negociações, o ministro André Mendonça autorizou o retorno de Daniel Vorcaro para uma cela especial na superintendência da Polícia Federal em Brasília.
A decisão atendeu a parecer da Procuradoria-Geral da República. Segundo a PGR, a permanência do investigado em cela comum poderia facilitar contato com outros integrantes do suposto grupo criminoso.
Além disso, o órgão apontou risco de destruição de provas e possibilidade de intimidação de testemunhas durante o andamento das investigações.
Recentemente, Daniel Vorcaro também alterou sua equipe de defesa. O advogado Sérgio Leonardo passou a representar o empresário após a saída do criminalista Luis Oliveira Lima.
Defesa ainda precisa apresentar novos anexos
Para que um eventual acordo seja homologado pelo STF, a defesa precisará apresentar novos anexos com informações consideradas relevantes e inéditas pelos investigadores.
Somente após essa etapa, a Polícia Federal e a Procuradoria-Geral da República poderão avaliar a validade da colaboração premiada.
Até o momento, o STF não definiu prazo para análise de um possível novo acordo envolvendo Daniel Vorcaro.
