A fila na Unicat voltou a ser motivo de reclamação entre usuários que dependem de medicamentos fornecidos gratuitamente pela Unidade Central de Agentes Terapêuticos, em Natal. Pacientes relatam longos períodos de espera para atendimento, dificuldades para conseguir alguns medicamentos e falta de estrutura para acomodar quem aguarda na unidade.
Além da demora, muitos afirmam que enfrentam problemas para retirar remédios de uso contínuo, situação que, em alguns casos, compromete a continuidade dos tratamentos.
Pacientes relatam dificuldades para receber medicamentos
A técnica de laboratório Gisa Farias contou que chegou à unidade por volta das 7h30 para buscar a somatropina destinada ao tratamento do filho, de 13 anos.
Segundo ela, a família aguardava havia cerca de três meses pela reposição do medicamento.
“Ontem soube que o medicamento havia chegado. Fiz o agendamento e vim o mais rápido possível para tentar conseguir”, afirmou.
Outra mãe, que preferiu não se identificar, informou que o filho precisou interromper o tratamento por falta da medicação.
Segundo ela, a família não conseguiu comprar a somatropina na rede privada, onde o tratamento pode custar aproximadamente R$ 3 mil por mês.
“O medo de não continuar crescendo provocou muita ansiedade no meu filho”, relatou.
Ela explicou ainda que conseguiu atendimento por meio do novo sistema de agendamento, implantado para organizar a entrega da medicação.
Outros medicamentos também registraram falta
Usuários também relataram dificuldades para obter o calcitriol, medicamento utilizado no tratamento de diversas doenças relacionadas ao metabolismo do cálcio.
A agricultora Evailza Benigna afirmou que aguardava a reposição havia aproximadamente quatro meses.
Segundo ela, as tentativas de contato telefônico com a unidade não tiveram retorno durante esse período.
Ao comparecer à Unicat, recebeu a informação de que o medicamento havia chegado, mas poderia ser necessário apresentar novos exames devido ao tempo sem realizar a retirada.
Demora no atendimento gera reclamações
Além da falta de medicamentos, pacientes reclamam do tempo de espera para concluir o atendimento.
A agente comunitária de saúde Maria Fernanda da Silva informou que enfrentou várias horas de espera para retirar medicamentos destinados à mãe.
Ela contou que chegou à unidade pela manhã, recebeu a ficha somente mais de uma hora depois e concluiu o atendimento apenas no meio da tarde.
Segundo a usuária, a rotina de filas extensas, escassez de cadeiras e demora na análise da documentação tornou-se frequente nos últimos meses.
Sesap amplia sistema de agendamento
Em nota, a Secretaria de Estado da Saúde Pública (Sesap) informou que retomou a dispensação da somatropina mediante atendimento exclusivamente por agendamento.
Segundo a pasta, o sistema está disponível por meio do portal da Central do Cidadão e faz parte das medidas adotadas para reorganizar o fluxo de atendimento da Unicat.
Além disso, a secretaria informou que, a partir de 13 de julho, todos os medicamentos do Componente Especializado da Assistência Farmacêutica (CEAF) passarão a utilizar exclusivamente o sistema de agendamento.
Sesap explica falta de medicamentos
De acordo com a secretaria, a somatropina integra o Grupo 1A do CEAF, cuja compra e distribuição são de responsabilidade do Ministério da Saúde.
A Sesap informou que os atrasos ocorreram devido a problemas na produção e na entrega por parte dos laboratórios fabricantes.
Já os medicamentos pertencentes ao Grupo 1B, cuja aquisição cabe ao Governo do Estado, estão em fase final de compra ou aguardam entrega pelos fornecedores contratados.
Além disso, a pasta informou que os usuários podem consultar a disponibilidade dos medicamentos em tempo real no portal eletrônico da Unicat.
A expectativa da secretaria é que o novo modelo de atendimento reduza as filas, diminua o tempo de espera e proporcione mais organização na entrega dos medicamentos aos pacientes.






















































