As Enchentes no RS provocaram impactos em 88% dos domicílios localizados nas áreas mais afetadas pelo desastre climático de 2024. Os dados fazem parte da Pesquisa Especial sobre as Enchentes de 2024 no Rio Grande do Sul (PEERS), divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Além de mensurar os danos materiais, o levantamento mostra consequências prolongadas sobre moradia, renda, saúde, educação e mobilidade da população.
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A pesquisa estima que 6.333.727 moradores viviam nas regiões mais atingidas, distribuídos em 2.328.093 domicílios. Além disso, o estudo foi realizado entre 15 de setembro de 2025 e 27 de fevereiro de 2026, abrangendo 133 municípios gaúchos como parte de uma força-tarefa para avaliar os efeitos sociais de eventos climáticos extremos.
Enchentes no RS deixaram milhares de casas destruídas
Segundo o IBGE, as interrupções nos serviços básicos atingiram grande parte da população. Tanto o abastecimento de água quanto o fornecimento de energia elétrica foram afetados em 66,3% das residências pesquisadas. Da mesma forma, 68,7% dos domicílios registraram problemas nas ruas e bairros próximos, incluindo vias danificadas, alagadas ou interditadas.
Além disso, mais da metade dos entrevistados informou que as enchentes causaram danos estruturais em suas casas. O levantamento aponta que 55,5% dos moradores relataram prejuízos nas residências. Nos casos mais graves, 11,7% das moradias foram classificadas como destruídas ou muito danificadas, sendo 81.272 totalmente destruídas e outras 190.253 com danos severos.
Outro dado relevante mostra que 922.233 pessoas precisaram mudar de endereço após o desastre, o equivalente a 14,6% dos moradores das áreas atingidas. Entre aqueles que deixaram suas casas, 37,9% afirmaram que a decisão ocorreu diretamente por causa das enchentes. Além disso, a pesquisa identificou maior impacto entre famílias de baixa renda, já que 28,3% dos deslocados viviam em domicílios com renda mensal de até R$ 2 mil.
Saúde mental, trabalho e educação também sofreram impactos
Os efeitos das enchentes ultrapassaram os prejuízos materiais. Conforme a pesquisa, 67,5% dos entrevistados relataram que a saúde mental foi afetada após o desastre. Além disso, 58,4% disseram que enfrentaram dificuldades no convívio social com familiares e amigos, enquanto 57,3% tiveram problemas para se deslocar ao trabalho, à escola ou à creche.
No mercado de trabalho, 58,3% das pessoas com 14 anos ou mais estavam ocupadas antes das enchentes. Entretanto, durante o período crítico, 56,4% interromperam suas atividades profissionais. Posteriormente, o nível de ocupação praticamente retornou ao cenário anterior, com 3.035.991 pessoas trabalhando, contra 3.043.889 antes da tragédia.
Na educação, os impactos também foram expressivos. Dos 1.696.612 estudantes matriculados em abril de 2024, 78,9% interromperam a frequência escolar durante as enchentes. Contudo, 94,8% já haviam retomado os estudos quando a pesquisa foi concluída.
Auxílio financeiro e recuperação dividiram opiniões
O levantamento também mostrou que 484.221 domicílios, o equivalente a 20,8% do total, receberam auxílio financeiro de órgãos públicos entre abril e maio de 2024. Além disso, 196.293 residências tiveram pelo menos um morador que precisou de atendimento médico em decorrência das enchentes.
Nos casos mais críticos, 652.107 domicílios ficaram inacessíveis, exigindo operações de resgate. A maior parte desses salvamentos ocorreu por transporte aquático, utilizado em 70% das ocorrências. Da mesma forma, voluntários participaram de 74,9% das ações de socorro.
A avaliação dos serviços públicos apresentou resultados divididos. Enquanto áreas como saúde, esgotamento sanitário, drenagem urbana e transporte coletivo receberam mais avaliações negativas, setores como energia elétrica, iluminação pública e limpeza urbana registraram maior número de avaliações positivas. Em relação às ações de recuperação, 41% dos moradores classificaram os trabalhos como satisfatórios, enquanto 39,2% consideraram as medidas insuficientes.
A pesquisa também revelou diferenças entre as regiões do estado. Porto Alegre concentrou aproximadamente 59% dos moradores e domicílios analisados, enquanto localidades como Santa Cruz do Sul, Lajeado, Uruguaiana, Ijuí e Passo Fundo registraram elevados índices de impactos nos bairros e nas áreas residenciais, evidenciando a dimensão dos efeitos provocados pelo maior desastre climático da história recente do Rio Grande do Sul.






















































