As redes sociais ultrapassaram a televisão como principal fonte de informação política no Brasil, segundo pesquisa Genial/Quaest divulgada em 15 de julho. O levantamento mostra que 36% dos brasileiros acompanham notícias políticas principalmente pelas plataformas digitais, enquanto 34% ainda recorrem à televisão.
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Entre os eleitores mais jovens, a diferença aumenta. De acordo com a pesquisa, 52% das pessoas entre 16 e 34 anos utilizam as redes como principal fonte de informação política. Por outro lado, apenas 20% desse grupo apontam a televisão como principal meio.
Entre os brasileiros com mais de 60 anos, entretanto, o cenário muda. Nesse grupo, 55% acompanham política principalmente pela televisão, enquanto 16% priorizam as plataformas digitais.
O crescimento da internet levanta uma questão importante para as eleições: ter muitos seguidores significa ter mais chances de vencer uma disputa presidencial?
Para cientistas políticos ouvidos pelo SBT News, a resposta é negativa. As plataformas digitais ampliam o alcance dos candidatos, fortalecem discursos e ajudam a mobilizar apoiadores. No entanto, esses fatores não determinam, sozinhos, o resultado das urnas.
Seguidores não significam votos
O escritor e pré-candidato Augusto Cury exemplifica essa diferença entre popularidade digital e desempenho eleitoral. Segundo a pauta, Cury reúne cerca de 8,2 milhões de seguidores no Instagram, enquanto Renan Santos possui aproximadamente 2,1 milhões.
Apesar da diferença de audiência, pesquisas eleitorais colocam Renan à frente de Cury na disputa presidencial. O escritor aparece com apenas 1% das intenções de voto.
Assim, especialistas apontam que audiência e capital eleitoral representam conceitos diferentes. O cientista político Rodolfo Silva Marques afirma que seguidores, curtidas, compartilhamentos e visualizações ajudam a medir alcance e mobilização, mas não permitem prever diretamente a força de um candidato nas urnas.
Uma pessoa pode seguir determinado político por diferentes motivos. Ela pode admirar o candidato, acompanhar suas declarações, discordar de suas posições ou simplesmente ter curiosidade sobre sua atuação.
O cientista político Fabio Andrade também chama atenção para os ambientes fechados da internet. Segundo ele, grupos de WhatsApp e Telegram exercem papel importante na circulação de mensagens políticas. Portanto, analisar apenas plataformas abertas, como Instagram e X, não mostra toda a dinâmica de uma campanha.
Economia ainda pesa na decisão
Embora a internet tenha conquistado espaço no debate eleitoral, os especialistas avaliam que fatores econômicos e sociais continuam decisivos para o eleitor.
Inflação, preço dos alimentos, emprego, renda e segurança pública aparecem entre os temas capazes de influenciar a escolha do voto. Além disso, a avaliação do governo e a percepção sobre a própria qualidade de vida também pesam na decisão.
A pesquisa Genial/Quaest divulgada em julho, por exemplo, mostrou que 43% dos entrevistados consideravam que a economia brasileira havia piorado nos 12 meses anteriores, enquanto 20% avaliavam que ela havia melhorado. O levantamento ouviu 2.004 pessoas presencialmente entre 10 e 13 de julho, com margem de erro de dois pontos percentuais.




















































