O presidente Luiz Inácio Lula da Silva conversou por telefone com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, na manhã desta sexta-feira (21). A ligação durou 1 hora e 20 minutos e foi a quarta conversa entre os dois desde o retorno de Trump à Presidência dos Estados Unidos.
Segundo o Palácio do Planalto, o diálogo ocorreu em tom amistoso e cordial. Além disso, os dois presidentes discutiram temas da relação entre Brasil e Estados Unidos, incluindo as tarifas impostas a produtos brasileiros, o combate ao crime organizado e assuntos da agenda internacional.
A conversa também passou pelas eleições brasileiras de 2026. De acordo com informações obtidas nos bastidores, Trump perguntou a Lula sobre o processo eleitoral. Em resposta, o presidente brasileiro defendeu a confiabilidade do sistema eleitoral do país.
Ligação foi articulada durante semanas
A conversa entre Lula e Trump não aconteceu de forma repentina. Segundo informações de bastidores, representantes dos dois governos vinham negociando o contato havia algumas semanas.
O retorno positivo da Casa Branca na quinta-feira (20) abriu caminho para a ligação no dia seguinte. Assim, Lula e Trump conseguiram retomar diretamente o diálogo em meio ao aumento das tensões comerciais entre os dois países.
Além disso, a ligação ocorreu poucos dias depois de Lula afirmar que pretendia conversar diretamente com Trump sobre as relações entre os dois países e sobre possíveis interferências no processo eleitoral brasileiro.
Trump perguntou sobre as eleições
Durante a conversa, Trump perguntou a Lula sobre as eleições brasileiras, segundo interlocutores ouvidos nos bastidores.
Lula aproveitou o momento, então, para defender a segurança e a confiabilidade do sistema eleitoral brasileiro. O tema ganhou importância nas últimas semanas devido às manifestações de autoridades brasileiras sobre possíveis interferências externas no processo eleitoral.
O presidente brasileiro já havia declarado, antes da ligação, que pretendia pedir a Trump que não interferisse nos assuntos internos do Brasil, principalmente nas eleições de outubro.
Lula criticou tarifas impostas pelos EUA
Outro assunto central foi o tarifaço americano sobre produtos brasileiros.
Segundo o governo brasileiro, Lula afirmou a Trump que as justificativas utilizadas pelos Estados Unidos para aplicar as medidas são infundadas. Entre os argumentos citados estão questões relacionadas ao desmatamento, corrupção, Pix, etanol, propriedade intelectual e importações de produtos associados a trabalho forçado.
Por outro lado, Trump concordou com a necessidade de preservar os vínculos comerciais entre os dois países. Além disso, o presidente americano propôs que as equipes técnicas de Brasil e Estados Unidos retomassem as reuniões o mais rapidamente possível.
O governo brasileiro já havia iniciado procedimentos relacionados à Lei da Reciprocidade Econômica, enquanto também mantém a negociação como uma das alternativas para tratar das tarifas.
Conversa durou mais que as anteriores
A ligação desta sexta-feira foi a mais longa entre Lula e Trump.
Os dois já haviam conversado três vezes. A primeira ocorreu em outubro de 2025 e durou aproximadamente 30 minutos. Depois, eles voltaram a falar em janeiro de 2026, por cerca de 50 minutos. Em maio, houve uma terceira conversa, de aproximadamente 40 minutos.
Agora, o diálogo de 1h20 representa uma retomada mais prolongada do contato direto entre os presidentes.
Segundo interlocutores do governo brasileiro, os dois conversaram diretamente, sem a participação de assessores durante o diálogo.
Crime organizado também entrou na pauta
Lula também abordou o combate ao crime organizado no Brasil.
O presidente apresentou ações adotadas pelo governo brasileiro e defendeu a cooperação entre os dois países. No entanto, Lula voltou a rejeitar a classificação de organizações criminosas brasileiras como grupos terroristas.
O tema ganhou espaço na relação bilateral depois que os Estados Unidos classificaram o PCC e o Comando Vermelho como organizações terroristas.
Ainda assim, os dois governos sinalizaram interesse em ampliar a cooperação na área de segurança.
Ucrânia e Oriente Médio também foram discutidos
Além da agenda bilateral, Lula e Trump conversaram sobre conflitos internacionais.
A guerra entre Rússia e Ucrânia entrou na pauta, assim como a situação no Oriente Médio. Lula defendeu a busca por soluções negociadas e também abordou a necessidade de discutir questões internacionais no Conselho de Segurança da ONU.
Dessa forma, a ligação não ficou restrita ao tarifaço e às relações comerciais.
Reunião presencial ainda não foi marcada
Apesar da retomada do diálogo, Lula e Trump não marcaram uma reunião presencial.
Segundo informações de bastidores, um encontro entre os dois continua no radar do governo brasileiro. As possibilidades incluem uma reunião em Brasília, Washington ou até mesmo durante a Assembleia-Geral da ONU, em Nova York, em setembro.
Por enquanto, portanto, não existe data confirmada para um encontro presencial.
A conversa desta sexta-feira, porém, terminou com a sinalização de que os dois presidentes mantêm um canal direto de comunicação. Segundo relatos, Trump afirmou a Lula que poderia procurá-lo diretamente quando quisesse.
