Onze diretores da Polícia Federal (PF) colocaram os cargos à disposição nesta terça-feira (8), em apoio ao diretor-geral afastado Andrei Rodrigues e ao diretor de Inteligência Policial, Leandro Almada.
A manifestação ocorreu após o ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinar o afastamento dos dois integrantes da cúpula da corporação. A decisão provocou uma crise na direção da PF e aumentou a tensão em torno das investigações relacionadas ao caso Banco Master.
Diretores da PF defendem Andrei Rodrigues
Os 11 diretores divulgaram uma manifestação conjunta para defender a atuação de Andrei Rodrigues e Leandro Almada. No documento, eles rejeitaram as acusações de que os dois teriam adotado uma postura “não republicana” dentro da Polícia Federal.
Além disso, os integrantes da cúpula da PF afirmaram que as acusações não possuem fundamento. Segundo eles, as críticas atingem não apenas os dois delegados, mas também a credibilidade e a história institucional da Polícia Federal.
Os diretores também destacaram a trajetória profissional de Andrei Rodrigues. Na avaliação do grupo, o diretor-geral afastado sempre atuou de maneira técnica, isenta e responsável.
Cúpula da PF coloca cargos à disposição
Ao final da manifestação, os 11 diretores informaram que colocaram seus cargos à disposição do diretor-geral substituto, William Murad.
Murad ocupava o posto de número dois da Polícia Federal e assumiu interinamente o comando da corporação após o afastamento de Andrei Rodrigues.
O gesto representa uma demonstração de apoio à antiga direção da PF. Ao mesmo tempo, os diretores afirmaram que pretendem preservar a autonomia da instituição diante da crise.
Segundo a manifestação, o grupo considera necessário defender a Polícia Federal de possíveis interferências externas e preservar sua atuação institucional.
Diretores citam interesses político-eleitorais
Na nota, os diretores também criticaram o que classificaram como narrativas influenciadas por interesses político-eleitorais.
De acordo com o grupo, esse tipo de narrativa não pode apagar a trajetória profissional dos servidores envolvidos nem a reputação construída pela Polícia Federal.
Além disso, os diretores afirmaram que a manifestação busca defender a instituição de ataques e de tentativas de usurpação de suas funções.
O grupo também reforçou o compromisso da PF com a promoção da Justiça e com a defesa do Estado Democrático de Direito.
Quem assinou a manifestação
Entre os diretores que colocaram os cargos à disposição está Dennis Cali, responsável pela Diretoria de Investigação e Combate ao Crime Organizado e à Corrupção. A área concentra investigações relacionadas ao caso Banco Master.
Também assinaram a manifestação Fabrício Schommer Kerber, diretor de Polícia Administrativa; Otavio Margonari Russo, diretor de Combate a Crimes Cibernéticos; Felipe Tavares Seixas, diretor de Cooperação Internacional; e Helena de Rezende, diretora de Gestão de Pessoas.
A lista inclui ainda Roberto Reis Monteiro Neto, André Luis Lima Carmo, Christiane Correa Machado, Alexsander Castro de Oliveira, Ademir Dias Cardoso Júnior e Humberto Freire de Barros.
Mendonça afastou Andrei e Almada
O ministro André Mendonça determinou o afastamento preventivo de Andrei Rodrigues e Leandro Almada nesta terça-feira (8).
A decisão ocorreu após pedidos apresentados pelo partido Novo. Mendonça também determinou que a Corregedoria da Polícia Federal apure as circunstâncias relacionadas à produção de documentos de inteligência citados no caso.
Além disso, o ministro suspendeu a produção, elaboração ou compartilhamento de relatórios de inteligência destinados a analisar atividades jurisdicionais, a advocacia pública e a polícia judiciária.
Crise chega à Segunda Turma do STF
A decisão de Mendonça foi submetida à Segunda Turma do STF. Os ministros formaram maioria para manter o afastamento, mas Gilmar Mendes pediu vista e interrompeu o julgamento.
Com isso, a decisão de Mendonça continua válida enquanto o Supremo não concluir a análise do caso.
O episódio amplia a crise envolvendo integrantes da Polícia Federal e ministros do STF. Além disso, coloca novamente no centro do debate as investigações relacionadas ao Banco Master e os conflitos entre diferentes setores envolvidos no caso.
William Murad assume comando da PF
Com o afastamento de Andrei Rodrigues, William Murad assumiu interinamente a direção-geral da Polícia Federal.
Apesar da movimentação na cúpula, Murad afirmou que a corporação seguirá funcionando normalmente. A expectativa, neste primeiro momento, é de que a mudança não provoque alterações significativas no trabalho cotidiano da instituição.
Enquanto isso, a colocação dos cargos à disposição pelos 11 diretores aumenta a pressão sobre a direção interina e demonstra a dimensão da crise provocada pela decisão do STF.
