O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), retirou nesta quinta-feira (10) o sigilo da decisão que autorizou uma operação da Polícia Federal para apurar suspeitas relacionadas ao financiamento de “Dark Horse”, filme que narra a trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
A investigação apura suspeitas de desvio de recursos públicos provenientes de emendas parlamentares, além de possíveis crimes relacionados à movimentação e ocultação de valores.
O sigilo foi retirado após o cumprimento das diligências de busca e apreensão no Ceará, no Distrito Federal, no Rio de Janeiro e em São Paulo. O ministro também determinou que, depois do cumprimento integral da decisão, o caso fosse encaminhado para manifestação da Procuradoria-Geral da República (PGR).
A investigação envolve mais de 50 pessoas, segundo a representação apresentada pela autoridade policial. Entre os investigados está o deputado federal Mario Frias (PL-SP). A apuração trata de suspeitas relacionadas à destinação e à execução de recursos públicos repassados ao Instituto Conhecer Brasil (ICB) e à Academia Nacional de Cultura (ANC).
Empresa Go Up Entertainment
O documento também cita a empresa Go Up Entertainment, apontada como produtora do filme “Dark Horse”. A empresa é vinculada a Karina Ferreira da Gama, que aparece na investigação como presidente do Instituto Conhecer Brasil e da Academia Nacional de Cultura.
Segundo a decisão, o inquérito foi instaurado em 23 de junho de 2026. A investigação tem como base, entre outros elementos, uma nota técnica da Controladoria-Geral da União (CGU) sobre a execução de emendas parlamentares e a atuação das entidades envolvidas.
Entre as medidas autorizadas por Dino estão buscas e apreensões de documentos e dispositivos eletrônicos, além do acesso e da extração de dados considerados necessários à investigação, com submissão à perícia técnica e observância da cadeia de custódia.
A decisão também autoriza buscas pessoais e a apreensão de determinados valores e bens de luxo encontrados com os investigados, nas condições estabelecidas pelo ministro.
A decisão de Dino descreve suspeitas investigadas pela Polícia Federal, mas a existência de indícios e a autorização das medidas não significam, por si só, que os investigados tenham sido condenados ou que os crimes tenham sido definitivamente comprovados.
LEIA TAMBÉM: Corpo de mulher é encontrado com marcas de tiros na chamada “Estrada da Morte”
