A Polícia Federal (PF) apontou que a atuação parlamentar do senador Ciro Nogueira (PP-PI) teria mantido “alinhamento direto e contínuo” com interesses do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master. A análise consta em um relatório enviado ao Supremo Tribunal Federal (STF) e divulgado nessa sexta-feira (11).
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O documento tornou-se público após o ministro André Mendonça retirar o sigilo de 38 processos relacionados ao caso Master. Segundo a PF, o vínculo entre Ciro Nogueira e Vorcaro aparecia na entrega de minutas legislativas, na discussão de propostas e na comemoração de resultados obtidos no Congresso.
Além disso, investigadores citaram declarações atribuídas a Vorcaro nas quais ele indicaria que textos apresentados no Senado correspondiam a propostas que havia encaminhado.
Ciro Nogueira e Vorcaro: PF cita “Emenda Master”
Para a Polícia Federal, a Emenda nº 11 à PEC 65/2023 representa um dos principais exemplos da relação investigada. Conhecida como “Emenda Master”, a proposta aumentava de R$ 250 mil para R$ 1 milhão o limite de cobertura do Fundo Garantidor de Créditos (FGC).
Segundo a PF, o texto apresentado por Ciro Nogueira reproduzia os termos propostos por Vorcaro. A instituição avaliou que, caso a medida fosse aprovada, o aumento da cobertura poderia comprometer a liquidez do FGC.
A investigação também identificou dinâmica semelhante em outros projetos. Entre eles estão o PL 5.174/2023, relacionado ao Programa de Aceleração da Transição Energética (PATEN), e o PL 412/2022, que trata do Sistema Brasileiro de Comércio de Emissões (SBCE).
Minutas teriam circulado fora do Congresso
De acordo com o relatório, minutas de interesse de Vorcaro saíam da residência de Ciro Nogueira e seguiam para um local externo ao Congresso. Depois, segundo os investigadores, os documentos retornavam ao ambiente parlamentar após passar por revisão.
A PF considerou esse procedimento incompatível com os padrões institucionais esperados para a elaboração de propostas legislativas. Além disso, os investigadores afirmaram que algumas medidas teriam reduzido a possibilidade de identificar a origem dos documentos e seus vínculos com o Banco Master.
Por outro lado, o relatório também aborda possíveis vantagens recebidas pelo senador. A PF afirmou que o vínculo pessoal, negocial e funcional entre Ciro Nogueira e Vorcaro estaria associado ao recebimento de vantagens indevidas.
Entre os benefícios citados aparece uma participação societária adquirida por uma empresa ligada ao senador por R$ 1 milhão. Segundo a investigação, o ativo teria avaliação aproximada de R$ 13 milhões.
A PF também mencionou pagamentos mensais de pelo menos R$ 300 mil. Conforme o relatório, os valores chegaram a R$ 500 mil em determinado período e totalizaram ao menos R$ 6 milhões entre junho de 2024 e agosto de 2025.
Além disso, os investigadores citaram o custeio de viagens, jatos particulares, hospedagens e outras despesas como parte das vantagens que teriam sido oferecidas.
