O curta-metragem potiguar “Mariposa”, dirigido por Alexandre Américo e Pedro Vitor, foi um dos destaques da 59ª edição do Festival de Brasília do Cinema Brasileiro. O filme, estrelado por Mãe Bianca de Omolú, recebeu o Prêmio Zózimo Bulbul de melhor curta e uma menção honrosa do júri oficial da Mostra Competitiva Nacional de Curtas. Os vencedores foram anunciados neste sábado (19), no Cine Brasília.
Concedido por um júri indicado pelo Centro Afrocarioca de Cinema e pela Associação dos Profissionais do Audiovisual Negro (APAN), o Prêmio Zózimo Bulbul reconhece produções que contribuem para a valorização da presença, das narrativas e das perspectivas negras no cinema brasileiro. A premiação homenageia o legado de Zózimo Bulbul, um dos nomes fundamentais do cinema negro no país.
Segundo o júri, “Mariposa” foi escolhido por apresentar “inventividade dentro do território ancestral”, a partir da criação de signos e significados próprios, e por se afastar de estereótipos sobre o que se espera do negro. Para os jurados, o filme encontra saídas poéticas ao transformar o lugar de onde se fala como força motriz para o novo.
Ao receber o prêmio, Alexandre Américo destacou a importância do legado de Zózimo Bulbul para a produção audiovisual negra brasileira e relacionou o reconhecimento ao compromisso da equipe com a criação de novas narrativas e imagens.
“Esse prêmio especialmente reflete o quanto nós estamos comprometidos em fabular e inventar outras narrativas e outras imagens, descoladas dessas imagens fixadas do que pode um negro produzir, do que pode uma comunidade negra produzir, do que pode a negritude produzir. Então acho que esse prêmio nos reconhece e nos aponta que estamos num caminho necessário”, afirmou.
Filme gravado em Santa Rita
Gravado na praia de Santa Rita, em Extremoz, no Rio Grande do Norte, “Mariposa” também recebeu uma menção honrosa do júri oficial da Mostra Competitiva Nacional. O reconhecimento destacou a articulação entre fotografia, montagem e som no desafio de filmar a vivência e a resistência de um território.
Para os diretores, a premiação reconhece não apenas o filme, mas a pesquisa e a produção artística realizada por pessoas negras e pessoas com deficiência, além do compromisso político presente no trabalho da Torta Plataforma, produtora responsável pela obra.
“Essa Menção Honrosa também diz muito, para nós, desse senso de dever de inventar um mundo onde o capitalismo já destruiu. Então é um compromisso, antes de tudo político, que esse prêmio nos devolve, nos reconhece”, pontuou Pedro Vitor.
Ao todo, 12 curtas-metragens participaram da disputa na Mostra Competitiva Nacional, selecionados entre quase 2 mil obras inscritas. “Mariposa” fez sua estreia durante o festival.
Sobre o filme
Gravado nas dunas da praia de Santa Rita, em Extremoz, “Mariposa” é um filme em preto e branco, com 14 minutos de duração, que aproxima memória, rito, natureza e território. A obra apresenta Dona Zefa, interpretada por Mãe Bianca de Omolú, e Oliveira, vivido por Alexandre Américo, como personagens encantados ligados ao território de Santa Rita.
O filme surgiu do encontro entre Alexandre Américo e Pedro Vitor e da aproximação de Pedro com o universo das encantarias, da Jurema Sagrada e das religiosidades de terreiro do Candomblé. Realizado com recursos da Lei Paulo Gustavo e distribuído pela Ebó Filmes, de Rosy Nascimento, “Mariposa” tem entre suas referências os itãs, contos e narrativas transmitidos em rodas, xirês e rituais do Candomblé.
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