O governo federal antecipou a reunião com clubes de futebol após a reação das equipes à Medida Provisória (MP) que proibiu a exploração, oferta, intermediação e publicidade das apostas de quota fixa no Brasil. O encontro está previsto para terça-feira (29) e deve reunir representantes dos clubes das Séries A e B.
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Bets notificam clubes e avaliam contratos após MP
Os ministérios do Esporte e da Fazenda organizam a reunião. Além disso, o governo pretende discutir com os dirigentes os possíveis impactos financeiros da medida sobre as equipes.
Inicialmente, o Palácio do Planalto planejava realizar uma primeira rodada de conversas com os clubes antes de um encontro com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. No entanto, a reação das equipes acelerou o calendário de negociação.
Segundo informações divulgadas neste fim de semana, o ministro do Esporte, Paulo Henrique Perna Cordeiro, foi designado para antecipar a interlocução com os clubes. A proposta é ouvir os dirigentes e discutir alternativas diante das mudanças no mercado de apostas.
Reunião com clubes discutirá impacto financeiro
Os clubes apontam que a proibição das bets pode afetar receitas provenientes de contratos de patrocínio. Além disso, empresas do setor já começaram a comunicar equipes sobre possíveis rescisões de acordos comerciais, segundo informações divulgadas pela imprensa.
A MP nº 1.394 foi assinada por Lula na sexta-feira (25). O texto proíbe a exploração, a oferta, a intermediação e a publicidade de loterias de apostas de quota fixa em território nacional. A medida também alcança apostas esportivas e jogos on-line.
Diante desse cenário, o governo discute mecanismos de apoio financeiro aos clubes. Uma das propostas envolve uma linha de crédito de até R$ 20 bilhões para equipes e Sociedades Anônimas do Futebol (SAFs).
Programa pode permitir refinanciamento de dívidas
A proposta em discussão prevê a criação do Programa Nacional de Reestruturação Financeira do Futebol Profissional. O objetivo seria permitir que clubes troquem dívidas antigas por financiamentos com juros menores e prazo mais longo.
De acordo com as informações divulgadas, os recursos poderiam atender diferentes tipos de débitos. Entre eles estão dívidas trabalhistas, direitos de imagem, débitos com a Receita Federal, INSS e FGTS, além de empréstimos bancários e dívidas civis.
Além disso, o programa poderia financiar investimentos na infraestrutura das categorias de base. Por outro lado, a proposta não permitiria utilizar os recursos para despesas correntes, como salários, contratação de jogadores ou distribuição de lucros e dividendos por SAFs.
A estrutura em discussão prevê prazo de até 20 anos para pagamento, com dois anos de carência. Os bancos habilitados fariam a concessão dos financiamentos, enquanto o risco das operações ficaria com as próprias instituições financeiras.
A reunião de terça-feira deverá colocar essas propostas na mesa de negociação entre governo e representantes dos clubes. Também está prevista a participação de representantes da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), conforme informações divulgadas sobre o encontro.
