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TCE-RN identifica falhas estruturais na rede de proteção à criança e ao adolescente

TCE-RN identifica falhas estruturais na rede de proteção à criança e ao adolescente e aponta riscos no enfrentamento da violência no estado.
Foto: Freepik

A rede de proteção à criança e ao adolescente no Rio Grande do Norte apresenta falhas estruturais que comprometem a prevenção e o enfrentamento da violência. A constatação é do Tribunal de Contas do Estado (TCE-RN), que concluiu um levantamento inédito sobre o tema e aponta a necessidade de integração, coordenação e fortalecimento das políticas públicas voltadas à infância.

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O estudo foi realizado pela Diretoria de Avaliação de Políticas Públicas (DPP) no âmbito do Projeto Infância Segura, coordenado nacionalmente pela Associação dos Membros dos Tribunais de Contas do Brasil (Atricon). A iniciativa reforça o novo papel do controle externo, que passa a atuar também na indução de melhorias na gestão das políticas públicas.

Mais do que levantar números de ocorrências, o trabalho analisou o funcionamento do Sistema de Garantia dos Direitos da Criança e do Adolescente (SGDCA) em todo o estado.

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Falta de integração entre políticas públicas

Entre os principais problemas identificados está a ausência de um plano estadual específico que integre áreas como saúde, educação, assistência social, segurança pública e sistema de justiça.

O relatório também aponta fragilidade na comunicação entre os órgãos. Segundo os auditores, não existe interoperabilidade entre os sistemas de informação, nem uma base eletrônica unificada e sigilosa que permita o compartilhamento de dados no âmbito do SGDCA.

Outra dificuldade é a coordenação intersetorial. Embora tenha sido criado o Comitê Estadual da Rede de Cuidado e Proteção Social, o grupo ainda está em fase inicial e não exerceu plenamente atribuições essenciais, como a definição de diretrizes para os fluxos de atendimento nos municípios.

Falhas na educação e na assistência social

Na área da educação, a auditoria identificou a ausência de protocolos claros para orientar profissionais da rede estadual diante de suspeitas ou relatos de violência, como determina o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA).

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Também não foi constatada atuação do Estado no apoio aos municípios para a criação de fluxos padronizados de proteção no ambiente escolar.

Outro ponto crítico é a falta de prioridade no atendimento a crianças da primeira infância vítimas de violência, em desacordo com o ECA e a Constituição Federal.

O relatório ainda aponta a inexistência de assistência jurídica especializada nos Centros de Referência Especializados em Assistência Social (Creas) e limitações na capacidade dos serviços de acolhimento, que chegam a negar vagas por falta de estrutura.

Segurança pública carece de protocolos padronizados

Na área da segurança pública, apesar da existência de delegacias especializadas em Natal, Parnamirim e Mossoró, não há equipes multidisciplinares nem procedimentos operacionais padronizados nas polícias Civil e Militar para o atendimento de crianças e adolescentes vítimas de violência.

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Segundo o TCE, essa ausência compromete a qualidade do atendimento e aumenta o risco de revitimização.

Relatório aponta riscos e caminhos para melhorias

Diante do cenário, o TCE-RN elaborou uma matriz de riscos com recomendações para o aprimoramento do sistema.

Entre os principais pontos estão:

  • Fortalecimento da coordenação interinstitucional

  • Padronização dos fluxos de atendimento

  • Melhoria da estrutura e da capacitação das equipes

  • Qualificação da escuta especializada e do depoimento especial

  • Redução do risco de revitimização das vítimas

O relatório também defende o aprimoramento do planejamento, monitoramento e avaliação das políticas públicas, além do uso qualificado de dados como ferramenta estratégica de prevenção da violência.

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Encaminhamentos serão analisados pelo Plenário

Com a conclusão do levantamento, a DPP encaminhou o material para análise do Plenário do TCE-RN.

A partir dessa apreciação, poderão ser definidos encaminhamentos como:

  • Fiscalizações específicas

  • Recomendações formais aos gestores

  • Ações de acompanhamento das políticas públicas voltadas à infância

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