A campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), candidato à reeleição, pediu que órgãos de fiscalização investiguem a atuação da Meta na distribuição de conteúdos eleitorais. Neste sábado (17), a coligação enviou um relatório à Organização das Nações Unidas (ONU) e solicitou à Procuradoria-Geral Eleitoral e à Polícia Federal (PF) que apurem se a campanha de Flávio Bolsonaro (PL) recebeu algum tipo de benefício da empresa.
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A Meta é responsável por plataformas como Facebook, Instagram e WhatsApp. Segundo a campanha de Lula, diferenças no alcance de vídeos, nas recomendações de perfis e canais e nas respostas da inteligência artificial (IA) levantam dúvidas sobre a distribuição de conteúdos relacionados aos dois candidatos.
Além disso, a coligação afirma que vídeos de Flávio Bolsonaro alcançaram mais pessoas, embora o candidato tivesse menos seguidores. Por isso, a equipe de Lula questiona se os sistemas da empresa trataram as candidaturas de maneira desigual.
Campanha estima possível vantagem nas redes sociais
Para dimensionar a possível diferença de alcance, a campanha de Lula comparou as visualizações que considera excedentes com os preços praticados na publicidade digital. Dessa forma, elaborou uma estimativa hipotética do valor que essa exposição adicional poderia representar.
No entanto, esse cálculo não comprova que a Meta tenha transferido recursos à campanha de Flávio Bolsonaro ou concedido algum benefício financeiro nesse montante. A estimativa apresentada pela coligação serve como argumento para pedir a apuração dos fatos.
A investigação deverá esclarecer se houve irregularidade na distribuição de conteúdo político-eleitoral e se as diferenças apontadas decorreram de falhas técnicas, critérios dos sistemas ou alguma outra circunstância. Até que existam conclusões, as alegações da campanha não devem ser tratadas como prova de favorecimento.
TSE determina que Meta não interfira na distribuição
Na quinta-feira (15), o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) determinou que a Meta não interferisse na distribuição de conteúdos político-eleitorais relacionados aos candidatos do segundo turno. A decisão também estabeleceu a possibilidade de multa em caso de descumprimento.
A medida ocorreu após conteúdos ligados à candidatura de Lula sofrerem restrições de distribuição. Assim, a decisão buscou impedir interferências indevidas no alcance das publicações durante a disputa eleitoral.
Outro episódio envolvendo a empresa ganhou destaque na quarta-feira (14). Na ocasião, foi confirmado que a inteligência artificial da Meta no WhatsApp gerava uma arte com a inscrição “Flávio 22”, mas recusava uma solicitação semelhante com “Lula 13”.
A diferença nas respostas levantou questionamentos sobre o funcionamento das ferramentas de inteligência artificial durante o período eleitoral.
Meta afirma que corrigiu falha e nega favorecimento
Em resposta ao caso, a Meta afirmou que uma falha nas proteções da inteligência artificial permitiu a geração de materiais favoráveis a Flávio Bolsonaro, enquanto pedidos semelhantes relacionados a Lula eram recusados.
Segundo a empresa, a equipe identificou e corrigiu o problema em 14 de outubro. A Meta também negou que tenha favorecido politicamente qualquer candidato.
A companhia explicou que seus sistemas bloqueavam solicitações com os nomes explícitos dos candidatos, mas nem sempre reconheciam combinações de nomes comuns com números eleitorais. Por esse motivo, pedidos que associavam “Flávio” ao número 22 podiam resultar na criação de imagens de campanha.
Além disso, a mesma brecha permitia gerar imagens com “Luiz” e o número 13. A explicação da empresa indica que a falha estava relacionada à identificação de determinadas combinações de palavras e números, embora a diferença entre as respostas tenha motivado questionamentos da campanha petista.

























































