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Meio Ambiente

Al Gore critica crise climática nos EUA e alerta para retrocessos

Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil

O ex-vice-presidente dos Estados Unidos, Al Gore, criticou duramente a postura de seu país diante da crise climática. Segundo ele, os Estados Unidos adotam uma conduta “esquizofrênica”, alternando compromissos ambientais a cada mudança de governo.

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Primeiramente, Gore lembrou que Donald Trump retirou os EUA do Acordo de Paris, que busca limitar o aquecimento global a 1,5°C. Logo depois, Joe Biden recolocou o país no tratado. No entanto, em janeiro deste ano, Trump anunciou nova saída do acordo em seu segundo mandato.

“É lamentável que os Estados Unidos tenham tido uma abordagem esquizofrênica em relação à crise climática, alternando entre presidentes democratas e republicanos. Isso está longe de ser o ideal”, afirmou o democrata.

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Além disso, Gore ressaltou que os EUA perderam o protagonismo global que exerciam no pós-Segunda Guerra. Conforme disse, a União Europeia assumiu maior papel de liderança, mas seria melhor se Washington restaurasse seu compromisso climático.

COP30 em Belém

Durante evento do The Climate Reality Project, realizado no Rio de Janeiro, Al Gore também comentou sobre a participação americana na COP30, que acontecerá em novembro, em Belém.

Segundo ele, mesmo diante da ofensiva política e comercial de Trump contra o Brasil, governos estaduais e municipais dos EUA devem garantir presença ativa na conferência.

“Trump mente descaradamente ao dizer que os EUA têm déficit comercial com o Brasil, quando na verdade temos superávit. Ele também distorce fatos sobre guerra, carvão e até sobre energia limpa. Todas essas afirmações são mentiras”, criticou Gore.

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Capitalismo e clima

Outro ponto central foi a discussão sobre economia e meio ambiente. Questionado se o capitalismo pode atrapalhar o combate à poluição, Gore defendeu o oposto.

De acordo com ele, o sistema pode ser parte da solução. Como exemplo, citou que 93% da geração de eletricidade em 2024 veio de fontes renováveis, sendo que 85% do investimento foi privado.

No entanto, ele alertou: “O desafio é se faremos essa transição energética a tempo. Os poluidores de combustíveis fósseis fazem de tudo para bloquear mudanças. Mas cresce a pressão popular pela transição, inclusive no Brasil”.

Alerta sobre plásticos e futuro da COP30

Finalmente, Gore comentou sobre o fracasso das negociações em Genebra, que reuniram 185 países para discutir um tratado contra a poluição plástica. Para ele, a dificuldade mostra a força política da indústria fóssil.

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“O uso da rede de poder econômico para distorcer decisões políticas é um desafio para a governança mundial. É loucura permitir que poluidores escrevam as regras que controlam nosso destino”, concluiu.

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