A Secretaria Municipal de Educação de Natal promoveu, na manhã da última sexta-feira (6), uma formação voltada aos novos professores do Atendimento Educacional Especializado (AEE). O encontro ocorreu no Centro Municipal de Referência em Educação Aluízio Alves (Cemure) e reuniu educadores que atuam diretamente com estudantes da rede municipal. Além disso, a atividade reforça o compromisso da gestão municipal com a educação inclusiva e com a qualificação permanente dos profissionais da área.
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Durante a capacitação, os participantes discutiram um dos temas mais complexos da educação atual: a chamada dupla excepcionalidade. Essa condição ocorre quando o estudante apresenta simultaneamente características do Transtorno do Espectro Autista (TEA) e Altas Habilidades ou Superdotação (AH/SD). Segundo especialistas, essa combinação exige atenção pedagógica específica e um olhar mais sensível por parte dos professores.
Atendimento Educacional Especializado e dupla excepcionalidade
De acordo com a formadora e assessora pedagógica do Setor de Educação Especial, Jucilene da Silva Dantas Medeiros, a formação busca ampliar a capacidade de identificação pedagógica dos educadores. Ela destaca que o aumento das demandas nas escolas tornou essencial discutir o tema com mais profundidade.
Segundo Jucilene, muitos estudantes chegam às unidades de ensino com diagnóstico de autismo. No entanto, simultaneamente, apresentam sinais de elevado potencial intelectual que ainda não foram oficialmente reconhecidos. Assim, o objetivo da formação é ajudar os professores a identificar essas características e oferecer estratégias adequadas de acompanhamento.
A assessora também ressalta que o professor do AEE tem papel fundamental nesse processo. Conforme explica, o profissional precisa compreender que, em alguns casos, as altas habilidades ficam ocultas pelo diagnóstico de autismo. Portanto, a qualificação contínua contribui para garantir que esses estudantes desenvolvam plenamente suas capacidades.
Além disso, a iniciativa faz parte de uma pesquisa vinculada ao Mestrado Profissional em Educação Especial da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN). A proposta fortalece a relação entre a universidade e a rede pública de ensino, permitindo que estudos acadêmicos se transformem em soluções práticas para o cotidiano escolar.
A professora doutora Adriane Cenci, do Centro de Educação da UFRN, afirma que a formação surge a partir de experiências reais vivenciadas nas escolas. Segundo ela, muitos alunos eram encaminhados para salas de recursos apenas pelo diagnóstico de autismo. Entretanto, em vários casos, as altas habilidades passavam despercebidas por falta de conhecimento técnico.
Para os professores participantes, a iniciativa também representa uma oportunidade importante de aprimoramento profissional. A professora Carolina França Barros Sacaguchi, da Escola Municipal Professora Iapissara Aguiar, no bairro Potengi, destaca que a formação contribui diretamente para o trabalho desenvolvido nas salas de recursos.
Ela explica que, por estar no primeiro ano de atuação no Atendimento Educacional Especializado, cada atividade do curso tem ajudado na prática diária. Além disso, Carolina ressalta que, apesar dos desafios enfrentados nas escolas, o acesso a capacitações desse nível fortalece o suporte oferecido aos estudantes.























































