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Palácio Potengi: MPRN e DPU pedem obras urgentes na Pinacoteca do RN

Foto: Thalles Ikaro/TV Ponta Negra

O Ministério Público do Rio Grande do Norte (MPRN) e a Defensoria Pública da União (DPU) ingressaram com uma ação civil pública para exigir obras emergenciais no Palácio Potengi, sede da Pinacoteca do Rio Grande do Norte. A medida judicial foi movida contra o Estado do RN, a Fundação José Augusto e o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional.

Relatórios técnicos apontam graves problemas estruturais no imóvel histórico, incluindo infiltrações severas, deterioração das lajes e riscos elétricos. Segundo os órgãos, a situação ameaça tanto o acervo artístico quanto a segurança de visitantes e servidores.

Vistorias apontam infiltrações e risco de incêndio

Uma vistoria técnica realizada em março deste ano pela Central de Atendimento Técnico Especializado (Cate) do MPRN identificou infiltrações intensas no telhado e falhas na impermeabilização das lajes.

De acordo com o relatório, a água da chuva chega ao interior do prédio por luminárias e eletrodutos, aumentando o risco de curto-circuito e incêndio.

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Fotos e vídeos produzidos em abril demonstraram o agravamento da situação. Além disso, outras inspeções já haviam identificado danos em assoalhos históricos e queda de fragmentos do forro em salões do prédio.

O espaço abriga atualmente mais de mil obras de arte consideradas fundamentais para a memória cultural potiguar.

Ação pede recuperação emergencial

Na ação, MPRN e DPU solicitam que seja apresentado, em até cinco dias, um projeto de recuperação emergencial do telhado, das lajes e do sistema elétrico do prédio.

O pedido inclui:

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  • memorial descritivo dos serviços;
  • cronograma das obras;
  • planilha orçamentária detalhada;
  • transferência imediata de obras de arte e mobiliários históricos para áreas seguras.

Os órgãos também pedem a remoção de vegetação e microrganismos das paredes externas, além da impermeabilização e restauração da pintura do imóvel.

A ACP solicita ainda o bloqueio de R$ 310.963,68, valor previsto em orçamento elaborado pela empresa IL Azevedo Engenharia Ltda. O montante seria utilizado caso as obras não sejam iniciadas dentro dos prazos definidos pela Justiça.

IPHAN deve fiscalizar restauração

A ação destaca que o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional possui responsabilidade de atuar em casos de urgência envolvendo bens tombados.

Por isso, MPRN e DPU pedem que o instituto analise o projeto emergencial em até 15 dias e designe uma equipe técnica especializada para fiscalizar as intervenções.

Os órgãos também querem que relatórios de conformidade técnica sejam apresentados a cada 45 dias durante a execução das obras.

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Bem tombado sofre deterioração há anos

Segundo a ação, relatórios do IPHAN elaborados entre 2022 e 2025 já apontavam ausência de manutenção predial, infiltrações e intervenções irregulares realizadas sem autorização técnica.

Entre os problemas identificados estão:

  • brechas entre telhas permitindo entrada de água;
  • ferrugem em estruturas metálicas;
  • deformações em escadas e assoalhos de madeira;
  • pedras portuguesas soltas nas calçadas;
  • portas deterioradas improvisadas com cadeiras e ferramentas;
  • comprometimento dos sistemas elétrico e hidrossanitário.

MPRN e DPU afirmam que o Decreto-Lei nº 25/1937 obriga a preservação permanente de bens tombados e destacam que a omissão administrativa pode configurar descumprimento constitucional e legal.

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