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Renan Santos: Toffoli adia julgamento no TSE

Renan Santos, candidato do Missão à Presidência da República, afirmou nesta quinta-feira (27) que o Supremo Tribunal Federal (STF) se tornou “hiperpoderoso” e ultrapassou os limites de sua atuação. Além disso, voltou a dizer que poderá deixar de cumprir decisões judiciais que considerar ilegais.A declaração ocorreu durante uma sabatina promovida pela rádio CBN e pelos jornais Valor Econômico e O Globo. Na ocasião, Renan afirmou que não pretende entrar em conflito permanente com o STF, mas defendeu uma reação do Executivo em situações que considera graves.Segundo o candidato, um eventual governo não cumpriria imediatamente uma decisão judicial considerada ilegal. Ele afirmou ainda que buscaria respaldo jurídico da Advocacia-Geral da União (AGU) e de outros atores políticos.“O STF se tornou hiperpoderoso, ele está cruzando linhas”, afirmou Renan.Renan cita decisões sobre favelasComo exemplo, Renan citou a ADPF 635, conhecida como ADPF das Favelas. O processo discute a política de segurança pública e a letalidade das operações policiais em comunidades do Rio de Janeiro.Em abril de 2025, o STF homologou parcialmente o plano apresentado pelo governo fluminense e determinou medidas adicionais. Entre elas, está a elaboração de um plano para recuperar áreas ocupadas por organizações criminosas. A Corte também determinou investigação da Polícia Federal sobre crimes com repercussão interestadual e internacional.No entanto, Renan considera que decisões relacionadas à segurança pública podem ultrapassar os limites do Judiciário. Por isso, ele afirmou que poderia contestar uma determinação do Supremo sem cumpri-la imediatamente.O próprio STF afirma que a ADPF 635 não impede as operações policiais. Segundo a Corte, as forças de segurança continuam responsáveis por decidir quando e como realizar as ações, desde que respeitem os parâmetros constitucionais e as determinações judiciais.Candidato critica atuação do SupremoAlém disso, Renan afirmou que o aumento do poder do STF não começou recentemente. Ele citou o ministro Alexandre de Moraes e relacionou o crescimento da influência da Corte à crise institucional brasileira.O candidato também disse que não pretende utilizar força contra ministros do Supremo. Em tom irônico, afirmou: “Não vou mandar um tanque atropelar o Xandão”, em referência a Alexandre de Moraes.Apesar da crítica, Renan declarou que pretende adotar uma postura de presidente “pacificador”. Segundo ele, o objetivo seria evitar confrontos institucionais, mas manter uma posição firme em temas como segurança pública e combate ao crime organizado.Declaração já havia sido feitaA posição sobre o cumprimento de decisões do STF não é nova. Em 5 de agosto, durante sabatina da GloboNews, Renan afirmou que não cumpriria uma decisão da Corte caso a considerasse ilegal.Na ocasião, ele disse que a Constituição seria o parâmetro para definir a legalidade da decisão. Também criticou decisões monocráticas de ministros que suspendem medidas aprovadas pelo Congresso ou adotadas pelo Executivo.A discussão ganhou força novamente durante a campanha presidencial de 2026. No dia anterior à nova declaração, Renan também defendeu a adoção de um regime de exceção em áreas dominadas por organizações criminosas, citando o Estado de Defesa como possibilidade para recuperar esses territórios.STF tem função constitucionalA Constituição Federal estabelece que compete ao Supremo Tribunal Federal, principalmente, exercer a guarda da Constituição. O texto constitucional também define as competências da Corte no sistema de Justiça brasileiro.Por isso, a proposta de um presidente deixar de cumprir uma decisão judicial considerada ilegal envolve uma discussão institucional sobre os limites entre Executivo e Judiciário.Renan, por sua vez, sustenta que sua posição não representa uma tentativa de confrontar o Supremo. Segundo o candidato, a medida seria aplicada apenas em situações que envolvessem direitos fundamentais e questões que ele considerasse graves.

Renan Santos teve o julgamento do registro de candidatura à Presidência da República adiado pelo ministro Dias Toffoli, do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). A decisão ocorreu nesse sábado (29), dois dias antes do início previsto da análise no plenário virtual da Corte. Segundo Toffoli, existem “indícios de ilicitudes” que precisam de avaliação antes do julgamento.

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O ministro, que atua como relator do processo, determinou a retirada do caso da pauta. Dessa forma, o TSE não analisará o registro da candidatura nesta segunda-feira (31). Uma nova data para o julgamento ainda deverá ser definida pela Justiça Eleitoral.

Renan Santos informou perfis após registro

Conforme o despacho de Toffoli, Renan Santos e seu candidato a vice-presidente, Aroldo Medina, apresentaram à Justiça Eleitoral, em 19 de agosto, uma relação com 18 perfis em redes sociais. Os candidatos incluíram as informações posteriormente como complemento aos dados entregues no pedido de registro.

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O registro inicial da candidatura, por outro lado, ocorreu em 7 de agosto. Naquele momento, a chapa não havia informado os 18 perfis posteriormente apresentados à Justiça Eleitoral.

Ao analisar a documentação, Toffoli identificou possíveis irregularidades relacionadas às regras eleitorais que tratam da identificação e do uso de perfis nas redes sociais durante o processo de candidatura. Além disso, o ministro citou dispositivos da Lei das Eleições e resoluções do próprio TSE sobre registro de candidaturas e propaganda eleitoral.

Por causa dos questionamentos, o relator decidiu retirar o processo da pauta antes de levar o caso ao julgamento. Assim, a Corte terá tempo para avaliar os pontos levantados no despacho.

Adiamento não rejeita candidatura

O adiamento não significa que Renan Santos teve a candidatura rejeitada ou suspensa. Na prática, o ministro apenas interrompeu temporariamente a análise do registro diante dos indícios apontados.

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Agora, o TSE deverá definir uma nova data para examinar o pedido. Até lá, a situação da chapa formada por Renan Santos e Aroldo Medina permanece pendente de decisão da Justiça Eleitoral.

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