Bruno Felipe dos Santos Allegretti, de 18 anos, último dos envolvidos no estupro coletivo de uma adolescente de 17 anos, em Copacabana, zona sul do Rio de Janeiro, se entregou à polícia no começo desta quarta-feira (4). A informação foi confirmada pela Polícia Civil.
Vitor Hugo Oliveira Simonin, também de 18 anos, se apresentou na delegacia na manhã de hoje. Na terça-feira (3), Mattheus Verissimo Zoel Martins e João Gabriel Xavier Bertho, ambos de 19 anos, se entregaram.
O adolescente de 17 anos que também é investigado pelo crime foi denunciado pelo Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ) por ato infracional análogo a estupro, mas, até o momento, não houve pedido de internação provisória.
“Eventuais medidas cautelares podem ser requeridas no decorrer da investigação”, disse o MPRJ em nota.

Em entrevista ao Radar News, o delegado Ângelo Lages, titular da 12ª Delegacia de Polícia (Copacabana), reforçou que o crime ocorrido no dia 31 de janeiro foi “uma verdadeira emboscada”. “Esse adolescente se valia da confiança das meninas para atraí-las ao apartamento. E ele não fez isso só com essa vítima”, disse. A Polícia Civil apura pelo menos outras duas denúncias de violência sexual que envolvem o grupo.
Uma das vítimas, que tinha 14 anos quando foi estuprada, procurou a delegacia após assistir a reportagens sobre o caso mais recente. O crime ocorreu em 2023 e, segundo o delegado, teve o mesmo modus operandi: a menina teve um relacionamento com o adolescente e, depois, ele a chamou para ir até um imóvel, onde estariam presentes mais dois rapazes.
Chegando lá, ela também foi abusada e sofreu agressões físicas. Enquanto chorava e implorava para que parassem, eles riam, contou a garota para o delegado. Os jovens envolvidos teriam gravado imagens da violência como forma de chantageá-la a não denunciá-los.
Parte das imagens, disse Lages, chegou a circular em grupos de aplicativos de mensagem do Colégio Pedro II, onde a vítima e o adolescente estudavam. A menina se sentia intimidada por causa da gravação e só teve coragem de denunciar agora, quase três anos depois, ao tomar conhecimento do que aconteceu com a adolescente de 17 anos.
A Polícia Civil também investiga um caso denunciado pela mãe de uma terceira vítima. A mulher compareceu à delegacia na terça-feira (3) e relatou à polícia que Vitor Hugo Simonin, um dos investigados, teria estuprado a filha durante uma festa junina em um salão de festas, em outubro de 2025.
Plantão judicial negou urgência do caso
Segundo o delegado, a adolescente de 17 anos procurou a delegacia no mesmo dia do crime – 31 de janeiro –, e a polícia reuniu provas robustas em seis dias, representando pela prisão dos quatro adultos e por mandados de busca e apreensão, especialmente para recolher celulares e dispositivos eletrônicos, no Plantão Judiciário.
“A investigação não se baseia apenas no depoimento da vítima. Temos laudos, imagens e reconhecimento formal dos envolvidos”, destacou Ângelo Lages. Ainda de acordo com o delegado, o laudo do Instituto Médico Legal (IML) apontou ferimentos na região genital, nas costas e nas nádegas, além de suspeita de fratura na costela – compatível com o relato de que a jovem teria recebido um chute durante as agressões.
Apesar da rapidez da investigação, as prisões demoraram mais de um mês para acontecer. De acordo com Lages, isso ocorreu porque o juiz do Plantão Judiciário entendeu que o caso não era urgente e mandou distribuir ao juízo natural responsável pelo processo. O MPRJ afirmou, em nota, que o promotor de plantão também analisou que o caso “não configurava hipótese de apreciação em regime de plantão”.
A denúncia do estupro coletivo contra a adolescente em Copacabana segue na Vara Especializada em Crimes contra a Criança e o Adolescente (VECA) do Rio de Janeiro.






















































