A governadora Fátima Bezerra recebeu nessa quinta-feira (18) a professora Yang Minli, da Universidade Agrícola da China, que está no Rio Grande do Norte conduzindo uma série de reuniões e visitas técnicas de acompanhamento das ações desenvolvidas no âmbito da parceria quanto à mecanização da agricultura familiar do Nordeste.
Pioneira na América Latina e iniciada no Rio Grande do Norte, a parceria une a testagem de máquinas agrícolas chinesas adaptadas às especificidades da agricultura familiar, ao intercâmbio acadêmico Brasil/China. Com máquinas em testes também na Paraíba, Ceará e Maranhão, a iniciativa já identificou os modelos ideais e está atraindo o interesse dos chineses na instalação de fábricas no Brasil, especialmente no Nordeste. Três dos fabricantes já sondaram o Rio Grande do Norte.

Durante a reunião com a professora Minli, a governadora Fátima Bezerra falou das tratativas com os chineses para instalação de uma dessas fábricas no RN, citando as vantagens competitivas e a política de incentivos fiscais do Estado. “Temos infraestrutura, terreno e temos também mercado para receber um empreendimento desse porte”, lembrou a governadora, que estava acompanhada da secretária Cláudia Suassuna e da equipe técnica da Secretaria de Estado do Desenvolvimento Rural e da Agricultura Familiar (Sedraf).
Importância socioeconômica
No Rio Grande do Norte, 139 municípios (83% do total) têm menos de 20 mil habitantes. De acordo com o IBGE, a produção agrícola familiar é a principal atividade econômica nessas localidades. No entanto, a taxa de mecanização nas unidades produtivas é muito baixa: apenas 3% nos estados do Nordeste, ante 20% no plano nacional. A parceria com a China tem como um dos objetivos, mudar essa realidade.
Em fevereiro deste ano, o Governo do Estado instituiu o “Mecaniza RN”, voltado exclusivamente para a modernização e tecnificação da agricultura familiar. Na solenidade de lançamento, foram entregues tratores, tratoritos e outros implementos agrícolas, totalizando 400 unidades destinadas a associações e cooperativas. O programa está em sintonia com ações do governo federal, que projeta elevar a taxa de mecanização da agricultura familiar para 35% até 2033.
Estima-se que uma hora de tralhado com ‘tratorito’, equipamento que está em fase de testes em Apodi, equivalha a um dia inteiro de trabalho braçal usando enxadas, a um custo infinitamente menor comparado ao trator convencional.

Foto: Arquivo/Assecom
Parceria com os chineses
Implementado há dois anos, a parceria com os chineses tem gerado impactos positivos nos âmbitos social, econômico e ambiental. Segundo Lucivaldo Pereira, coordenador de Agroecologia e Convivência com o Semiárido da Sedraf, os resultados práticos dessa experiência incluem o aumento da produtividade e da renda das famílias beneficiadas, a transição do trabalho manual para a mecanização de pequeno porte, a ampliação da área de cultivo e conquista de novos mercados de comercialização dos produtos.
“Há incremento significativo de renda das famílias, melhoria da produtividade e acesso a novos mercados. Agricultores que testaram máquinas chinesas já compraram máquinas nacionais, agricultores que tinham apenas um hectare estão ampliando área de produção. Essas famílias saíram de uma condição de trabalhar com enxadas e hoje usam máquinas de pequeno porte adaptadas”, explica Lucivaldo.
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