Futebol e política voltou a ocupar o centro das atenções durante a Copa do Mundo de 2026. Disputado na América do Norte e encerrado neste domingo (19) com a decisão entre Argentina e Espanha, o torneio ficou marcado não apenas pelos jogos, mas também por episódios diplomáticos, restrições migratórias e manifestações políticas que repercutiram em todo o mundo. Além disso, especialistas afirmam que os acontecimentos reforçam a dificuldade de separar o esporte das questões geopolíticas.
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Segundo o historiador Flávio Campos, professor da pós-graduação em História Sociocultural do Futebol da Universidade de São Paulo (USP), os fatos registrados durante a competição demonstram que a neutralidade esportiva defendida pela Fifa enfrenta desafios constantes. Conforme o especialista, as decisões tomadas ao longo do Mundial afetaram diretamente o ambiente esportivo e evidenciaram a influência da política sobre o futebol.
Futebol e política expuseram tensões durante o Mundial
Um dos casos mais comentados envolveu a seleção do Irã. Em razão das tensões diplomáticas entre Estados Unidos e Irã, a delegação iraniana não recebeu autorização para permanecer em território norte-americano entre as partidas. Como resultado, a equipe concentrou sua preparação no México e precisou viajar apenas nos dias dos confrontos, retornando logo após cada jogo.
Para Flávio Campos, essa logística comprometeu a igualdade esportiva da competição. Segundo ele, o desgaste provocado pelas viagens constantes reduziu o tempo de descanso dos atletas e interferiu diretamente nas condições de preparação da seleção iraniana.
Além disso, outro episódio gerou repercussão internacional. O árbitro somali Omar Abdulkadir Artan, eleito o melhor juiz da África em 2025 e escalado pela Fifa para o Mundial, teve o visto negado pelas autoridades dos Estados Unidos e acabou deportado. Mesmo após a Somália disponibilizar um passaporte diplomático, o impedimento foi mantido. Depois disso, o árbitro retornou ao seu país, onde recebeu manifestações de apoio.
Uniforme do Haiti e decisões da Fifa geram críticas
Outra polêmica surgiu poucos dias antes da estreia da seleção do Haiti. A Fifa determinou a alteração do uniforme oficial da equipe por considerar que a estampa fazia referência a um conteúdo político. A camisa homenageava a Batalha de Vertières, confronto decisivo para a independência haitiana em 1803.
No entanto, a entidade aplicou o regulamento que proíbe manifestações políticas ou ideológicas nos uniformes das seleções. Assim, o Haiti disputou a competição com um novo modelo e acabou eliminado ainda na fase de grupos.
Enquanto isso, Campos criticou a postura da Fifa. De acordo com o historiador, a entidade sustenta uma ideia de neutralidade que, na prática, não se confirma diante das decisões adotadas durante a competição.
Relação entre Trump e Infantino também entrou em debate
A proximidade entre o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e o presidente da Fifa, Gianni Infantino, também provocou questionamentos. O principal episódio ocorreu após a anulação da suspensão automática do atacante norte-americano Folarin Balogun, expulso em uma partida do torneio.
Embora Trump e Infantino tenham negado qualquer interferência direta, organizações internacionais de direitos humanos criticaram o episódio. Além disso, a relação entre ambos já havia chamado atenção antes da Copa, quando Infantino entregou ao presidente norte-americano um prêmio criado pela própria Fifa durante o sorteio dos grupos.
Segundo Flávio Campos, esse tipo de situação representa um precedente inédito na história recente das Copas do Mundo, justamente por envolver a possível influência política sobre decisões técnicas relacionadas ao torneio.
Protesto argentino e expectativa para 2030
A política também apareceu dentro de campo. Após derrotar a Inglaterra na semifinal, jogadores da Argentina exibiram uma faixa com a mensagem “As Malvinas são argentinas”, contrariando orientações da Fifa que proibiam manifestações relacionadas ao conflito entre Argentina e Reino Unido.
Para o historiador, o episódio reforça que o futebol expressa as disputas e contradições presentes na sociedade contemporânea. Além disso, ele acredita que esse cenário deverá se repetir na Copa do Mundo de 2030, que terá partidas distribuídas entre América do Sul, Europa e África.




















































