O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou nesta sexta-feira (14) que o Brasil só dará o aval para a indicação de Daniel Perez como novo embaixador dos Estados Unidos no país depois das eleições de outubro. A declaração ocorreu durante entrevistas aos podcasts Não Inviabilize e As Cunhãs.
O aval, chamado de agrément na diplomacia, é necessário para que um representante estrangeiro possa assumir oficialmente uma embaixada. Embora o Senado dos Estados Unidos já tenha aprovado a indicação de Perez, o governo brasileiro ainda precisa concordar com a nomeação.
Lula questiona momento da indicação
Durante a entrevista, Lula criticou o momento escolhido pelo governo de Donald Trump para indicar o novo representante diplomático.
O presidente afirmou que os Estados Unidos ficaram cerca de um ano e seis meses sem um embaixador no Brasil e questionou a decisão de apresentar o nome de Perez quando faltam aproximadamente 45 dias para as eleições.
“Agora, só depois das eleições”, afirmou Lula ao comentar quando o governo brasileiro pretende conceder o agrément.
Segundo o presidente, o Brasil não pretende criar um conflito diplomático com os Estados Unidos. No entanto, Lula defendeu que o país mantenha autonomia para tomar decisões relacionadas ao processo eleitoral.
Daniel Perez foi indicado por Trump
Daniel Perez foi escolhido por Donald Trump para ocupar a Embaixada dos Estados Unidos em Brasília. O Senado norte-americano confirmou a indicação no dia 7 de agosto, em uma votação que terminou com 51 votos favoráveis e 47 contrários.
Mesmo após a aprovação pelo Senado americano, Perez ainda depende do aval do governo brasileiro para assumir o posto.
A indicação ocorreu em meio ao aumento das tensões entre Brasília e Washington. O governo brasileiro questionou o fato de os Estados Unidos terem anunciado o nome antes da conclusão do processo de consulta diplomática ao Brasil.
Lula fala em evitar interferência nas eleições
Além da indicação do embaixador, Lula voltou a criticar qualquer tentativa de interferência dos Estados Unidos nas eleições brasileiras.
O presidente afirmou que pretende conversar diretamente com Trump e disse que pedirá ao norte-americano para não interferir nos assuntos internos do Brasil.
Lula também afirmou que considera importante manter uma relação diplomática com os Estados Unidos. Ao mesmo tempo, destacou que o país não aceitará interferências no processo eleitoral.
Crise diplomática aumenta entre Brasil e EUA
A discussão sobre o embaixador ocorre em meio a uma série de divergências entre os dois governos. Recentemente, os Estados Unidos revogaram o visto da embaixadora brasileira em Washington, Maria Luiza Ribeiro Viotti.
A medida aumentou a tensão diplomática entre os países. Além disso, o Brasil iniciou o processo previsto na Lei da Reciprocidade Econômica em resposta às tarifas impostas pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros.
Apesar do cenário de tensão, Lula afirmou que o Brasil quer manter uma relação de diálogo com os Estados Unidos.
“Não precisamos brigar”, disse o presidente ao defender uma relação baseada em negociações entre os dois países.




















































