A advogada Edricélia Silva relatou, em entrevista para a TV Ponta Negra, detalhes das agressões que sofreu de policiais militares durante uma abordagem na Festa do Caju, em Serra do Mel. O caso ocorreu na madrugada do último domingo (30) e gerou forte repercussão no estado.
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Segundo Edricélia, tudo começou quando ela foi ao banheiro da festa e presenciou uma cena que chamou sua atenção. “Vi 10 policiais arrastando uma moça para fora da festa”, disse. Ela se apresentou como advogada e questionou a ausência de uma policial feminina para realizar a revista.
A advogada afirmou que, ao apresentar sua carteira da OAB, os policiais passaram a agir de forma violenta.
“Um policial segurou meu braço, outro segurou o outro e me arrastaram da mesma forma que a outra moça”, contou.
Ela relatou que foi levada para uma área escura fora da festa, onde teve o celular e a carteira da OAB tomados. Edricélia disse ter pedido para comunicar à OAB e exercer seu direito a uma ligação, mas foi impedida.
“Todas as vezes que eu tentava pegar o meu celular, era um tapa que eu levava. O tapa era tão forte que eu caía. Eu me levantava, era outro tapa”, descreveu. Segundo ela, a sequência de agressões se repetiu por três vezes.
A advogada também afirmou ter sido golpeada com um cacetete. “Começaram a me bater várias vezes na perna”, destacou.
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Conselho Seccional da OAB/RN aprova desagravo público a favor da advogada
A Ordem dos Advogados do Brasil do RN (OAB/RN) acompanhou o depoimento e classificou o caso como uma ofensa institucional. Durante sessão extraordinária na quinta-feira (4), o Conselho Seccional aprovou por unanimidade o desagravo público em favor da advogada. O ato ocorrereu na sexta-feira (5), em Mossoró.
O relator, João Victor Hollanda, afirmou que o caso não é “desentendimento pessoal”, mas violência praticada contra uma advogada no exercício da profissão. A OAB determinou ainda a inclusão dos policiais no Cadastro Nacional de Violadores de Prerrogativas.
PM afasta policiais envolvidos
A Polícia Militar abriu investigação interna e afastou 10 policiais do serviço operacional enquanto durar a apuração. A corporação afirma que todas as medidas necessárias serão tomadas.
O exame de corpo de delito apontou hematomas e escoriações em várias partes do corpo da advogada, como punhos, braço, orelha, joelhos e coxa.
A Polícia Civil também investiga o caso. Edricélia registrou denúncia na Delegacia da Mulher de Mossoró, acompanhada por representantes da OAB.





















































