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Aluguel no Brasil dispara e pesa no bolso das famílias

Foto: Guga Matos

O aluguel no Brasil registrou forte alta em 2025 e passou a pesar ainda mais no orçamento das famílias. Em várias capitais, os reajustes superaram com folga a inflação oficial, tornando a permanência no imóvel um desafio financeiro crescente. Embora o movimento já fosse esperado por especialistas, o ritmo surpreendeu muitos inquilinos.

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Na zona sul de São Paulo, por exemplo, a auxiliar administrativa Suzane Ferreira sentiu o impacto direto. Após 30 meses de contrato, o proprietário do apartamento de 60 metros quadrados solicitou um reajuste de quase 30%. Depois de negociação, o aumento caiu para 25%, mas, ainda assim, provocou um aperto significativo nas contas do casal. Conforme relata Suzane, a alternativa de mudança acabou descartada porque outros imóveis na região estavam ainda mais caros.

Aluguel no Brasil sobe acima da inflação

Segundo o Índice FipeZap de Aluguel Residencial, os novos contratos firmados em 2025 tiveram aumento médio de 9,44%. Esse percentual representa quase o dobro do IPCA, índice usado como base para reajustes de contratos antigos. Além disso, o levantamento analisou anúncios em 36 cidades brasileiras, das quais 34 apresentaram alta nos preços. Entre as capitais, 21 das 22 pesquisadas registraram aumento.

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De acordo com a economista Paula Reis, do Grupo OLX, dois fatores explicam o cenário. Por um lado, o mercado de trabalho aquecido elevou a renda média e aumentou a demanda por moradia. Por outro lado, a dificuldade de acesso ao financiamento imobiliário manteve muitas famílias no aluguel por mais tempo.

Atualmente, a taxa Selic em 15% ao ano encarece o crédito imobiliário. Como resultado, comprar a casa própria se tornou inviável para grande parte da população. Assim, mais pessoas permanecem no mercado de locação, o que, consequentemente, pressiona os valores cobrados pelos proprietários.

Apesar disso, especialistas avaliam que o ritmo de alta tende a desacelerar. Segundo Paula Reis, muitos imóveis já passaram por recomposição de preços que ficaram defasados durante a pandemia. Portanto, embora os reajustes devam continuar, a tendência é de aumentos menos agressivos nos próximos anos.

Enquanto isso, Belém, São Paulo e Recife seguem liderando o ranking das capitais com o metro quadrado mais caro para alugar.

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