Um em cada seis jovens adultas da América Latina e Caribe relata ter sofrido violência sexual infantil, aponta relatório do Unicef. A pesquisa analisou dados de mulheres entre 18 e 29 anos e mostra que 17% delas afirmam ter sido vítimas de abuso antes dos 18 anos. A incidência varia por país, com índices mais baixos em Colômbia, Equador e República Dominicana, onde 2% das jovens relatam o problema. Já no México, o percentual chega a 13%, enquanto em Trindade e Tobago a proporção é de 25%. O documento não apresenta dados específicos sobre o Brasil.
Diferença entre regiões
O relatório também mostra a proporção de mulheres com mais de 15 anos que sofreram violência física ou sexual por parceiros. No Caribe, o índice é de 21%. Já na América do Sul e na América Central, o percentual chega a 24%. Dessa forma, a média regional fica ligeiramente abaixo da média mundial, que é de 25%.
O que é considerado violência sexual infantil
A ONU define violência sexual infantil como qualquer ato de natureza sexual praticado contra menores de idade, mesmo que não consumado. Entre os crimes estão estupro, tentativa de estupro, contato sexual não desejado, assédio, exposição sexual, ameaças e produção de imagens sem consentimento. Assim, a definição engloba desde atos físicos até formas de abuso virtual.
Perigo online aumenta com a inteligência artificial
A violência também ocorre no ambiente digital. Pesquisa da TIC Kids Online de 2025 mostra que 11% das crianças e adolescentes brasileiros entre 11 e 17 anos receberam mensagens com conteúdo sexual. Além disso, 4% relataram pedidos de fotos ou vídeos nus. Com a disseminação de ferramentas de inteligência artificial, o risco se amplia ainda mais.
Nas últimas semanas, o Grok, IA do X, gerou denúncias por criar imagens e vídeos sexuais falsos, especialmente com meninas e mulheres. O caso gerou reação de governos e levou o Reino Unido a abrir investigação sobre deepfakes sexualizados. Em resposta, Indonésia e Malásia bloquearam o acesso à plataforma.
Casos recentes no Brasil
No Brasil, em 2026, a comunicadora Julie Yukari teve fotos alteradas em montagens, em que aparecia seminua. Além disso, o episódio reforçou o debate sobre a necessidade de medidas de proteção e punição para quem produz esse tipo de conteúdo.
Dessa forma, nesta terça-feira (20), a Autoridade Nacional de Proteção de Dados, o MPF e a Senacon recomendaram medidas ao X para impedir a criação dessas imagens. Entre as ações sugeridas, eles pediram a suspensão imediata das contas que solicitam conteúdos sexualizados de mulheres reais.
A preocupação das autoridades
A produção desse tipo de imagem já chama a atenção das autoridades brasileiras há anos. Em setembro de 2024, a prefeita de Bauru, Suéllen Silva Rosim, registrou boletim de ocorrência após a circulação de montagens com seu rosto. No mesmo mês, em Itararé, dois adolescentes foram investigados por suspeita de produzir “nudes” falsos de alunas.
Pesquisa aponta dificuldade de defesa
De acordo com estudo de 2024 do Instituto Alana, 92% dos brasileiros consideram difícil que jovens se defendam sozinhos de violências e conteúdos inadequados na internet. Por isso, especialistas defendem ações mais rígidas de fiscalização, educação digital e proteção legal.





















































