As chuvas registradas no interior do Rio Grande do Norte desde a segunda quinzena de fevereiro já acrescentaram 100 milhões de metros cúbicos de água aos reservatórios públicos monitorados pelo governo estadual. Os dados são do Instituto de Gestão das Águas do Rio Grande do Norte (Igarn), responsável pelo acompanhamento de 69 açudes e barragens distribuídos nas principais bacias hidrográficas do estado.
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Apesar da recarga hídrica, 75 municípios potiguares seguem em situação de emergência, reconhecida pela Defesa Civil, por causa da seca em estágio extremo. Nessa condição, a escassez de água provoca impactos sociais e econômicos significativos na região.
Chuvas reforçam açudes e barragens
As precipitações registradas no fim de fevereiro e início de março contribuíram para encher pequenos reservatórios e reforçar açudes de médio porte. Além disso, o volume da Barragem de Oiticica, segunda maior do estado, praticamente dobrou.
A barragem possui capacidade total de 742,6 milhões de metros cúbicos. Na última sexta-feira (6), o reservatório armazenava 214,1 milhões de m³, o equivalente a 28,8% da capacidade total.
Ao todo, 40 reservatórios públicos receberam recargas nesse período.
No município de Serra Negra do Norte, o sistema de abastecimento gerido pela prefeitura foi restabelecido após as chuvas encherem 10 pequenas barragens, formando uma calha de 28 quilômetros de água no leito do Rio Espinharas.
Grandes reservatórios ainda preocupam
Mesmo com as chuvas, alguns dos principais reservatórios do estado ainda não registraram aumento significativo no volume.
A Barragem Armando Ribeiro Gonçalves, localizada em Itajá, é responsável pelo abastecimento de cerca de 500 mil pessoas em 38 municípios, atendidos pela Companhia de Águas e Esgotos do Rio Grande do Norte (Caern), além de projetos de irrigação no Vale do Açu.
Atualmente, o reservatório possui 997,6 milhões de metros cúbicos, volume abaixo de 1 bilhão.
Já a Barragem de Santa Cruz, em Apodi, acumula 320,5 milhões de m³, o que corresponde a 53,4% da capacidade.
Enquanto isso, a Barragem de Umari, em Upanema, utilizada como fonte de abastecimento para carros-pipa que atendem municípios em emergência, registra 143,6 milhões de m³, ou 49% da capacidade total.
Atualmente, as reservas hídricas superficiais do RN somam 2,06 bilhões de metros cúbicos, o equivalente a 39% da capacidade total de armazenamento, que é de 5,29 bilhões de m³.
Transposição deve reforçar reservatórios
O planejamento estratégico dos órgãos responsáveis pela gestão hídrica prevê a chegada de mais uma cota de água do Projeto de Integração do Rio São Francisco (PISF) à barragem de Oiticica em 2026.
A previsão é que 93 milhões de metros cúbicos sejam transferidos para o reservatório. A primeira cota, de 79 milhões de m³, foi enviada no segundo semestre de 2025.
Segundo o diretor-presidente do Igarn, Procópio Lucena, o objetivo é reforçar o armazenamento para garantir segurança hídrica.
“Vamos acumular o máximo possível em Oiticica para depois fazer uma gestão compartilhada e garantir água para os principais reservatórios, gerando emprego, renda e desenvolvimento”, explicou.
Chuvas melhoram cenário no campo
De acordo com o Igarn, as chuvas das últimas semanas também mudaram o cenário em várias áreas rurais do estado.
Riachos voltaram a correr, pequenos açudes encheram e cisternas foram abastecidas com água da chuva, o que ajuda no consumo humano e na dessedentação de animais.
Atualmente, o Rio Grande do Norte possui cerca de 25 mil espelhos d’água e 80 mil cisternas, estruturas consideradas essenciais para a convivência com a seca.
Municípios com maior volume de chuva em 2026
Dados da Empresa de Pesquisa Agropecuária do Rio Grande do Norte (Emparn) mostram que, entre 1º de janeiro e 8 de março, os maiores volumes de chuva foram registrados principalmente na região Oeste do estado.
Cidades com mais chuva no período:
Portalegre – 517,4 mm
Rafael Godeiro – 472,8 mm
Martins – 432,2 mm
Monte Alegre – 426,6 mm
São Gonçalo do Amarante – 421,6 mm
Rodolfo Fernandes – 411,0 mm
Itaú – 398,6 mm
Serrinha dos Pintos – 396,7 mm
Viçosa – 396,6 mm
Parnamirim – 383,7 mm
Jandaíra – 376,8 mm























































