O avião da FAB deve chegar à Venezuela na noite desta sexta-feira (26) levando a primeira missão humanitária brasileira para apoiar as operações de busca e resgate após os terremotos que atingiram o país. A aeronave decolou às 13h18 da Base Aérea de Cumbica, em Guarulhos (SP), com destino a Maracay. Antes disso, fará uma parada técnica em Boa Vista (RR) para reabastecimento.
A bordo do KC-390 Millennium seguem 44 profissionais especializados em resgate, além de cães farejadores, equipamentos de localização e cerca de 13 toneladas de materiais. Além disso, o Governo Federal confirmou o envio de um hospital de campanha neste sábado (27).

Militares brasileiros preparam voo para seguirem em direção à Venezuela para levar ajuda humanitária – Reprodução Larissa Alves/SBT News
Equipe reúne bombeiros e especialistas
A missão reúne 36 bombeiros, sendo 13 de São Paulo, 13 de Minas Gerais e 10 do Paraná. Além deles, participam quatro integrantes da Defesa Civil Nacional e quatro técnicos da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel).
A operação também transporta seis cães farejadores, dois de cada estado participante. Ao mesmo tempo, as equipes levam antenas de alta sensibilidade capazes de localizar sinais de celulares sob os escombros. Dessa forma, os equipamentos atuarão em conjunto com os cães durante as buscas por sobreviventes.
Segundo o diretor de Preparação e Socorro da Defesa Civil Nacional e chefe da missão, Armin Braun, os próximos dias serão decisivos para localizar pessoas com vida.
“O nosso objetivo é buscar nesses escombros pessoas com vida. A gente acredita que um trabalho intenso nos próximos cinco dias vai conseguir encontrar sobreviventes.”
Além disso, Braun explicou que o rastreamento de sinais de celulares ajudará a direcionar as equipes para os locais com maior possibilidade de resgate. Assim, os bombeiros poderão concentrar os esforços nas áreas consideradas prioritárias.
Bombeiros atuarão de forma autossuficiente
A major Daniela Santos de Oliveira, do Corpo de Bombeiros de São Paulo, comandará a equipe brasileira de busca e resgate. Segundo ela, toda a estrutura foi planejada para permitir que os profissionais atuem sem depender da infraestrutura local.
Por isso, a equipe seguirá totalmente equipada para montar uma base de operações própria e permanecer na Venezuela pelo tempo necessário.
Mesmo passados dois dias desde os terremotos, Daniela acredita que ainda existem chances de encontrar sobreviventes. Além disso, ela destacou que os cães farejadores continuam sendo a principal ferramenta para indicar os locais onde as equipes devem iniciar as buscas.
Segundo a major, os animais conseguem identificar rapidamente áreas com possibilidade de vítimas. Em seguida, as equipes entram em ação para confirmar os sinais e iniciar o resgate.
Daniela também comparou a missão na Venezuela à operação realizada pelos bombeiros brasileiros após o terremoto na Turquia. De acordo com ela, os dois cenários apresentam elevado grau de complexidade devido ao risco constante de novos tremores.
Novo voo levará hospital de campanha
O comandante da aeronave, major Anderson Dias Santiago, explicou que o KC-390 fará apenas uma parada para reabastecimento antes de seguir para a Venezuela. Depois disso, a aeronave continuará o voo até Maracay. A previsão é que toda a viagem dure cerca de 11 horas.
Santiago lembrou que a Força Aérea Brasileira já participou de diversas missões humanitárias. Entre elas, estão o transporte de oxigênio durante a pandemia da Covid-19, o combate aos incêndios no Pantanal, o resgate de brasileiros durante a guerra na Ucrânia e uma missão recente de apoio na Bolívia.
No entanto, o apoio brasileiro não termina com esse primeiro embarque. O Governo Federal informou que um novo voo partirá neste sábado (27), da Base Aérea do Galeão, no Rio de Janeiro.
A aeronave transportará um hospital de campanha especializado em atendimento de trauma, medicamentos, insumos e uma equipe formada por 48 profissionais da saúde.
Além disso, o Brasil enviará cem purificadores de água movidos a energia solar. Cada equipamento poderá produzir até cinco mil litros de água potável por dia. Posteriormente, os equipamentos serão entregues à Defesa Civil da Venezuela.
Brasil poderá ampliar ajuda humanitária
Após a chegada das equipes, as autoridades brasileiras avaliarão as necessidades mais urgentes da operação. A partir dessa análise, o Governo Federal decidirá se enviará novos reforços e definirá a duração da missão.
Enquanto isso, outros países também prestam assistência à Venezuela. Segundo a presidente interina Delcy Rodríguez, México, El Salvador e República Dominicana já enviaram ajuda humanitária às áreas atingidas pelos terremotos.


















































