A União Europeia confirmou nesta terça-feira (1º) a suspensão das importações de carne brasileira a partir de quinta-feira (3). A medida ocorre porque o bloco considera insuficientes as garantias apresentadas pelo Brasil sobre o uso de antimicrobianos na produção animal.
A porta-voz da Comissão Europeia, Paula Pinho, confirmou a decisão. Segundo ela, o governo brasileiro ainda não apresentou garantias capazes de demonstrar o cumprimento integral das normas europeias.
Além disso, a União Europeia exige controles que cubram todo o ciclo de vida dos animais. O bloco também restringe o uso de antibióticos destinados ao tratamento de infecções em seres humanos.
Suspensão começa nesta quinta-feira
A suspensão entra em vigor em 3 de setembro de 2026. A medida alcança produtos de origem animal brasileiros, incluindo carnes.
Inicialmente, a decisão afeta diretamente as exportações de carne bovina. Além disso, a restrição envolve aves e outros produtos de origem animal, enquanto autoridades europeias analisam auditorias realizadas no Brasil.
No caso de aves e mel, uma auditoria europeia sobre a produção brasileira deve terminar nesta semana. No entanto, a Comissão Europeia informou que os resultados não estarão disponíveis imediatamente.
Por que a UE barrou a carne brasileira?
A principal preocupação da União Europeia envolve o uso de antimicrobianos na pecuária. As regras do bloco proíbem determinadas substâncias utilizadas para estimular o crescimento dos animais.
Além disso, a UE restringe o uso de antimicrobianos considerados importantes para o tratamento de infecções em seres humanos. Segundo as autoridades europeias, o uso inadequado desses medicamentos pode favorecer o surgimento de bactérias resistentes.
Por outro lado, o governo brasileiro afirma que mantém negociações técnicas com a União Europeia para atender aos requisitos sanitários do bloco.
Em julho, o Ministério da Agricultura informou que havia encaminhado documentação às autoridades europeias. Na ocasião, o Mapa afirmou que o Brasil não buscava flexibilizar as regras, mas pretendia cumprir os requisitos exigidos pelos mercados compradores.
Brasil tenta reverter restrição
Apesar da confirmação da suspensão, as negociações entre Brasil e União Europeia continuam.
A retomada das exportações depende da apresentação de garantias consideradas suficientes pelas autoridades europeias. Além disso, o processo envolve avaliações técnicas e a eventual reinclusão do Brasil na lista de países autorizados a vender produtos de origem animal ao bloco.
Em 2025, o Brasil ocupou a segunda posição entre os países que mais exportaram carne bovina para a União Europeia. Portanto, a restrição afeta uma relação comercial relevante para o setor brasileiro.
A medida também ocorre em um momento de negociações comerciais entre Brasil e União Europeia. Entretanto, autoridades europeias afirmam que as exigências sanitárias sobre antimicrobianos valem para todos os países exportadores, independentemente de acordos comerciais.
























































