O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) pretende se reunir com dirigentes de clubes de futebol após as eleições para discutir medidas que possam reduzir o impacto financeiro provocado pelo fim das bets no Brasil.
A proibição das empresas de apostas online deve ser anunciada nesta sexta-feira (25), em São Paulo. A medida será apresentada por meio de uma Medida Provisória (MP), segundo integrantes do governo.
A discussão com os clubes, porém, deve ficar para depois do período eleitoral. A ideia é avaliar formas de compensar parte da perda de receitas provocada pelo encerramento dos contratos de patrocínio com as empresas de apostas.
Uma das alternativas em estudo é a criação de uma linha de crédito com juros mais baixos para os clubes. Também está em discussão a possibilidade de renegociação ou extensão do prazo para pagamento de dívidas das equipes com a União e bancos públicos. O BNDES pode participar do programa.
A proposta vem sendo discutida com a participação da CBF e de dirigentes de clubes. Ainda não estão definidos o valor dos recursos, os critérios para acesso ao crédito nem o formato final do programa.
Bets movimentam mais de R$ 1 bilhão no futebol
Os clubes argumentam que o fim das bets terá impacto direto nas receitas. Em 2025, as empresas de apostas desembolsaram cerca de R$ 1,03 bilhão em patrocínios para clubes da Série A, segundo levantamento da consultoria Convocados. O valor representou alta de aproximadamente 66% em relação ao ano anterior.
Na quinta-feira (24), empresas do setor começaram a notificar clubes sobre a possibilidade de rompimento imediato dos contratos caso o governo confirme a proibição total das apostas online.
Entre as empresas que já começaram a se movimentar estão Betano, Novibet, Superbet e Esportes da Sorte. O Flamengo, por exemplo, tem contrato de R$ 268,5 milhões por ano com a Betano.
Na semana passada, clubes e federações divulgaram um manifesto em defesa da manutenção do mercado regulado de apostas. Eles afirmaram que o setor se tornou uma das principais fontes de receita do futebol e alertaram para o impacto econômico de uma proibição.
Fim das bets
A decisão de Lula representa uma mudança em relação à política adotada pelo próprio governo. O mercado de apostas foi regulamentado no fim de 2023, durante a gestão Lula, e começou a operar sob o novo modelo em 2025.
As empresas autorizadas pelo governo pagaram R$ 30 milhões de outorga para obter uma licença de operação por cinco anos. O eventual encerramento antecipado do mercado deve abrir uma discussão jurídica sobre o tratamento dessas autorizações e dos valores pagos pelas empresas. Integrantes do governo dizem que não deve haver reembolso.
Inicialmente, o governo avaliava proibir apenas os chamados cassinos online, como o jogo do Tigrinho, que representam uma parcela relevante do faturamento das plataformas, além de endurecer as regras de publicidade.
Lula, no entanto, passou a defender a proibição de todas as apostas online. Na quarta-feira (23), afirmou que havia tomado a decisão de acabar com as bets.
A medida também é apresentada pelo governo como uma resposta ao endividamento e aos problemas associados ao vício em apostas. Um estudo do Comsefaz (Comitê Nacional de Secretários de Fazenda) estima que as famílias brasileiras perderam R$ 62,5 bilhões para as bets em 2025.
Além da proibição, o governo deverá adotar medidas para combater plataformas ilegais. Na quinta-feira, o Ministério da Justiça determinou a remoção de 1.367 páginas e perfis usados para divulgar sites de apostas irregulares nas redes sociais.

























































